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Tema: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

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    Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    1. NOMENCLATURA
    A definição biológica de uma espécie afirma que todos os espécimes de uma população são de uma única espécie se eles são naturalmente capazes de se reproduzir sexualmente, gerando descendentes férteis. Portanto, a Cannabis é monotípica. Porém, devido a alta variação da espécie, alguns cientistas preferem definir a Cannabis de acordo com características morfológicas, tipológicas, fitoquímicas, ou geográficas.

    Exemplos Taxonômicos
    • Cannabis L. - Gênero
    • Cannabis sativa L. - Espécie
    • Cannabis sativa ssp. indica - Subespécie
    • Cannabis sativa ssp. indica var. kafiristanica - Variedade
    • Cannabis sativa ssp. indica f. Acapulco Gold - Landrace
    • Cannabis sativa ssp. indica "Skunk #1" - Cultivada


    2. BIÓTIPO

    As variedades cultivadas não são encontradas na natureza como subespécies reconhecidas. A denominação de sativa e indica pelos breeders (produtores de sementes) geralmente refletem características morfológicas da variedade. Isso faz com que o biótipo de drogas de folhas finas (Cannabis sativa ssp. indica biótipo sativa) seja geralmente confundido com a subespécie sativa (Cannabis sativa ssp. sativa).

    Sativa (Cannabis sativa ssp. indica biótipo sativa)
    Plantas altas, com entrenós médios a longos, ramos bem desenvolvidos, folhas verde médias a grandes, inflorescências longas e grandes, e sementes de tamanho médio. Seu maior tempo de maturação se deve a uma menor quantidade de clorofila na planta, que por sua vez está diretamente ligada a uma maior quantidade de pigmentos acessoriais que protegem a planta de luz solar excessiva. Sativas, sendo originalmente equatoriais, tem folhas menores, o que pode ser adaptativo para coisas como o bolor em um ambiente úmido.

    Indica
    (Cannabis sativassp. indica biótipo indica)
    Plantas de baixa a média altura, com entrenós curtos, ramos bem desenvolvidos, folhas verde escura grandes, inflorescências grandes, e sementes de tamanho médio a grande. Uma vez que são originalmente de regiões temperadas mais frias, suas folhas mais largas permitem a captura máxima de luz durante a estação de crescimento mais curta. Esse biótipo evoluí em isolamento dentro das montanhas do Hindu Kush, Pamir, e Himalaia ocidental.


    3. GENÓTIPO VS. FENÓTIPO
    Um organismo típico assemelha-se mais a seus pais do que a indivíduos não aparentados. Assim, frequentemente dizemos que as características individuais são herdadas: "Ele herdou a inteligência do pai", ou "Ele herdou esquizofrenia da mãe". No entanto, tais declarações são imprecisas. Inteligência e esquizofrenia se desenvolvem através de longas sequências de eventos nas histórias de vida das pessoas afetadas, e ambos os genes e o ambiente desempenham papéis nessas sequências. Indivíduos herdam seus genes, e não os produtos finais de suas histórias de desenvolvimento individuais. Para evitar tal confusão entre genes (que são herdados) e os resultados do desenvolvimento (que não são), geneticistas estabelecem a distinção fundamental entre o genótipo e o fenótipo de um organismo. Organismos têm o mesmo genótipo em comum se eles têm o mesmo conjunto de genes. Organismos têm o mesmo fenótipo se eles aparentam ou funcionam da mesma forma.

    O genótipo descreve o conjunto completo de genes herdados por um indivíduo, e o fenótipo descreve todos os aspectos da morfologia, fisiologia, comportamento, e das relações ecológicas do indivíduo. Nesse sentido, dois indivíduos nunca pertencem ao mesmo fenótipo, porque há sempre alguma diferença, embora ligeira, morfológica ou fisiológica entre eles. Além disso, exceto os indivíduos produzidos a partir de um outro organismo por reprodução assexuada, quaisquer dois organismos diferem, pelo menos um pouco, no genótipo.
    Na prática, usamos os termos genótipo e fenótipo em um sentido mais restrito. Nós lidamos com algumas descrições parciais fenotípicas (p. ex. a cor dos olhos) e com alguns subconjuntos do genótipo (p. ex. os genes que afetam a pigmentação dos olhos). O genótipo é essencialmente um personagem fixo de um organismo individual; o genótipo permanece constante durante toda a vida e é essencialmente inalterado por efeitos ambientais. A maioria dos fenótipos mudam continuamente ao longo da vida de um organismo conforme seus genes interagem com uma sequência de ambientes. Imutabilidade do genótipo não implica imutabilidade do fenótipo. Um único genótipo pode produzir diferentes fenótipos, dependendo do ambiente no qual os organismos se desenvolvem. O mesmo fenótipo pode ser produzido por diferentes genótipos, dependendo do ambiente.

    Genótipo - É o que está nos genes. Traços recessivos podem esconder-se por trás de traços dominantes e aparecer em gerações futuras.
    Fenótipo - Genótipo + Ambiente = Fenótipo

    O genótipo de uma semente de Cannabis reflete o seu potencial genético. No entanto, o genótipo dessa semente é influenciado por fatores internos e externos em seu ambiente que podem limitar o seu potencial (p. ex. maturidade, comprimento do dia, temperatura ambiente, umidade, disponibilidade de nutrientes, intensidade de luz, intensidade de luz ultravioleta, qualidade de luz). Teor máximo de THC, CBD, outros fitocanabinoides e terpenos pode, e geralmente é, altamente variável até mesmo para uma mesma variedade estável. Essas variações geralmente refletem o resultado das condições de cultivo. Divergências no ciclo de crescimento e na forma de cultivo também podem causar diferenças quantitativas, embora menor em termos absolutos, no perfil químico da planta. Plasticidade fenotípica reflete "a capacidade de genótipos individuais para alterar o seu crescimento e desenvolvimento em resposta a mudanças nos fatores ambientais". Naturalmente, a capacidade da Cannabis de mudar geneticamente como um resultado de hibridação e seleção não deve ser confundida com o conceito de plasticidade fenotípica.


    4. SELEÇÃO NATURAL VS. SELEÇÃO ARTIFICIAL
    Desde a origem da vida, seleção natural vem constantemente agindo para produzir a atual diversidade de organismos vivos na Terra. Devido à seleção natural, todas as espécies se adaptaram mais ou menos a suas próprias condições locais. Culturas agrícolas também se adaptaram a seus próprios nichos, mas nesse caso a adaptação foi dirigida por seleção artificial imposta por seres humanos. A principal diferença entre seleção natural e artificial é que seleção natural atua sobre fenótipos de características relacionadas à aptidão do organismo, enquanto seleção artificial é baseada em fenótipos específicos de importância agronômica.

    Mutação é a fonte de toda variação genética. Novas mutações são submetidas a seleção natural, e, no caso de plantas de cultura, elas são também frequentemente submetidas a seleção humana adicional. Para um dado gene, mutações são acontecimentos raros, mas considerando o grande número de plantas em um campo e de genes em uma planta, mutações são acontecimentos bastante frequentes na população. A maioria das mutações não são favoráveis para a sobrevivência na natureza, sendo eliminadas da população em poucas gerações como consequência da seleção natural. No entanto, algumas dessas mutações podem resultar em fenótipos mais favoráveis em termos de cultivo ou em termos de qualidade. A evolução de plantas depende de mutações espontâneas do genoma, potencialmente resultando em novos traços fixos pela seleção natural. "Melhoramento de plantas" também depende de variabilidade genética natural, mas, além disso, breeders têm aumentado essa variabilidade utilizando mutagênese aleatória.

    Cultivo e seleção humana favorecem indivíduos geneticamente únicos (com características raras), protegendo-os de ambientes naturais hostis que tendem a frequentemente eliminá-los através de seleção natural, em favor de um fenótipo mediano. Seres humanos reconhecem traços raros quando eles são de vantagem aparente etnobotânicamente, e através de seleção artificial dão refúgio aos genes que determinam tais traços, proporcionando a eles uma chance ainda melhor de serem transmitidos ao longo de gerações posteriores com maior frequência. Seres humanos não inventam mutações benéficas, nós simplesmente selecionamos mutações que ocorrem naturalmente que são atrativas para diversos fins, e tentamos recombiná-las com outras características benéficas até que elas sejam expressas regularmente. A mutação do gene da sintase de canabinoides dando origem ao alelo BT, permitindo a biossíntese de THC, foi o passo evolutivo primário levando a variedades de Cannabis para a produção drogas. A mutação sobreviveu, e os descendentes subsequentes perpetuaram essa capacidade biossintética única.

    Reprodução de plantas descreve métodos para a criação, seleção, e fixação de fenótipos de plantas superiores no desenvolvimento de cultivares melhorados adaptados às necessidades dos agricultores e consumidores. Conceitualmente, reprodução de plantas é simples: cruze os melhores pais, e identifique e recupere descendentes que superem os pais. O processo atualmente seguido na produção indoor (em interiores; "dentro de casa") de Cannabis é bastante semelhante. Cruzamento de pais para produzir sementes geneticamente diversas, que são transportadas para novos ambientes, semeadas e cultivadas, com apenas algumas plantas femininas selecionadas reproduzidas assexuadamente através de clones, fixando assim os traços selecionados, não permitindo nenhuma evolução adicional.

    Autofecundação é o meio de reprodução sexual mais eficaz na fixação de características desejáveis, uma vez que genes selecionados são mais prováveis de estarem representados em ambos pólen masculino e óvulo feminino se eles vêm da mesma planta. Na reprodução da Cannabis, os genes que controlam um traço selecionado devem estar presentes em dois indivíduos separados; um macho e uma fêmea. Plantas femininas fornecem a maioria dos produtos economicamente preciosos da Cannabis, incluindo fibras, sementes, ou drogas, enquanto que as plantas masculinas meramente fertilizam as fêmeas, e podem produzir fibras de alta qualidade. Isso faz com que seja difícil identificar traços potencialmente favoráveis em um progenitor masculino uma vez que essas características devem ultimamente ser expressas na sua prole feminina.

    Em uma espécie de fertilização cruzada como a Cannabis, é muito mais provável que uma mutação dominante vá ser expressa do que uma mutação recessiva; por outro lado, uma mutação recessiva é muito mais provável de se tornar fixa em uma população endogâmica de plantas auto-fertilizantes. Mesmo se uma mutação recessiva desejável for expressa como um homozigoto (uma característica expressa por dois alelos idênticos), e depois reconhecida como desejável pelo agricultor e, portanto, salva como a mãe para a geração de sementes seguinte, é mais provável que a planta mutante recessiva seja fertilizada aleatoriamente pelo pólen não selecionado do pai levando o alelo dominante não mutante. Portanto, a mutação provavelmente não apareceria na geração seguinte de heterozigotos. Uma mutação dominante em uma espécie de fertilização cruzada irá produzir prole dos quais pelo menos metade será heterozigótica (um traço expresso por dois alelos diferentes), mas que irá exibir a mutação. Seleções adicionais nas gerações subsequentes aumentam rapidamente a prevalência do alelo mutante dominante.

    A variabilidade molecular em plantas domesticadas tende a ser menor do que em espécies selvagens relacionadas como consequência do efeito fundador (populações provenientes de um pequeno número de indivíduos tendem a diferir significativamente da população da qual esses indivíduos originaram devido a erros de amostragem de alelos) durante a domesticação. Um fenótipo único é mais provável de ser notado em uma população pequena, e se for considerado favorável, o seu genótipo é muito mais provável de ser reproduzido e passado para a próxima geração. Populações de tamanho pequeno e efeito fundador recorrentes são provavelmente responsáveis pela proliferação radical de fenótipos divergentes encontrados atualmente na Cannabis utilizada para a produção drogas.


    5. HÍBRIDOS
    Uma planta híbrida é criada quando os breeders (produtores de sementes) intencionalmente polinizam duas variedades diferentes com o objetivo de produzir uma prole que contenha as melhores características de cada um dos pais. Essas plantas recém criadas são chamadas de F1 (primeira geração filial). Se essa F1 é retrocruzada com a mãe, então sua prole será F2. F2 pode ser também o cruzamento entre irmãos e irmãs F1. Normalmente F6 implica o retrocruzamento da variedade por 6 gerações afim de reforçar as propriedades e características da planta mãe. A cada geração a taxa de heterozigose diminui em 50%. Quando os indivíduos de uma variedade em particular passam a ser quase idênticos uns aos outros em genótipo devido a endogamia a longo prazo, a variedade passa a ser considerada de linhagem pura (inbred line; IBL). No entanto, apesar dessas variedades serem consideradas estáveis, nem mesmo uma F20 é de fato estável. Essas variações se devem aos fenótipos da planta.

    Vigor Híbrido (heterose): Quando um híbrido é visto como superior ao seus pais, ele é chamado de vigor híbrido. Contudo, isso só acontece com o cruzamento de duas diferentes plantas estáveis (homozigotos; IBL) e só se aplica para a primeira geração de sementes (F1). Heterose é a superioridade dos indivíduos híbridos em comparação com indivíduos inbred. Dentro de certos limites, quanto mais divergente são os pais, maior é a heterose na sua prole. Heterose declina rapidamente através de gerações de endogamia, indicando que, qualquer que seja o mecanismo subjacente a heterose, é devido à presença de loci heterozigotos.

    Depressão por Endogamia: Quando uma população é pequena ou pura (inbred line; IBL), ela tende a perder diversidade genética. Depressão por endogamia é a perda da aptidão devido à perda de diversidade genética. Endogamia aumenta a frequência de homozigotos (ambos dominantes e recessivos), o que facilita a expressão de traços vantajosos, assim como de traços deletérios recessivos, e fornece uma ampla gama de novas mutações para seleção. No entanto, depressão endogâmica resultando de endogamia repetida faz com que os descendentes acumulem e expressem mutações recessivas deletérias (ou um traço que é indesejável do ponto de vista do breeder), resultando em redução da fertilidade e das taxas de sobrevivência. Endogamia reduz o vigor em plantas através da diminuição da proporção de loci heterozigotos.

    Autoflorescente
    : São genótipos que são indiferentes a duração do dia, florindo quando as plantas atingem uma certa idade ou tamanho. Plantas autoflorescentes podem ser cultivadas em luz contínua visto que períodos de escuridão não são necessários para induzir sua floração. Afirma-se na literatura subterrânea que linhagens autoflorescentes foram geradas através da hibridização de plantas fotoperiodicamente adaptadas para curtas e longas temporadas.

    Feminilizada
    : São híbridos artificiais obtidos por intermédio da polinização de plantas fêmeas de linhagens dioicas (unissexuais) com o pólen de plantas monoicas (com ambos os sexos produzidos em uma planta). Variedades feminilizadas produzem predominantemente plantas fêmeas, mas geralmente também produzem algumas plantas hermafroditas e, ocasionalmente, plantas do sexo masculino.

    Plantas domesticadas podem diferir de seus progenitores selvagens tanto qualitativa como quantitativamente. Diferenças morfológicas são mais frequentemente qualitativas, uma vez que envolvem alterações anatômicas frequentemente controladas por apenas um ou poucos genes e são herdadas por mecanismos genéticos relativamente simples. Alterações fisiológicas possuem mais frequentemente um efeito quantitativo, como maior vigor e produtividade, ou variações na quantidade de metabolitos secundários. Alterações fisiológicas são geralmente controladas por um grupo de genes e, consequentemente, a sua herança é muitas vezes complexa. Híbridos entre variedades variando em uma característica quantitativa apresentam geralmente valores intermediários entre os dois pais. No entanto, heterose muitas vezes mascara o efeito da mistura e híbridos podem expressar características quantitativas em níveis mais elevados do que qualquer um dos pais.

    Para criar uma nova variedade, o breeder cruza duas plantas de interesse, por exemplo, uma planta altamente ramificada e uma planta rica em CBD. Em alguns casos, esse híbridos F1 vão criar fenótipos desejáveis únicos (heterose). No entanto, mais frequentemente, os traços vão agir de forma aditiva, e assim podemos esperar que os híbridos F1 serão de ramificação média e produção de CBD também média. Se o breeder cruzar essas F1s entre si, a geração F2 terá muitos fenótipos diferentes. No nosso exemplo, 25% das plantas serão altamente ramificadas, e 25% das plantas serão ricas em CBD. Agora, as chances de uma planta ser altamente ramificada e ao mesmo tempo rica em CBD é de 6.25% (25% de 25%). Exemplos de características desejadas incluem, mas não estão limitadas, a aquelas que resultam em um aumento da produção de biomassa, produção de produtos químicos específicos, resistência a pragas, vigor, tempo de desenvolvimento, sabores, cores, e tolerância ao frio, calor, seca.

    Procedimentos para estabilizar variedades de Cannabis são mal compreendidos, mesmo por criadores que produzem variedades comerciais. Estabilidade refere-se à variabilidade e previsibilidade encontrada na prole de uma geração: quando uma variedade é instável, a variabilidade será alta e a previsibilidade baixa; com uma variedade estável, o inverso é verdadeiro. Variabilidade refere-se à gama de diferentes fenótipos expressos nos descentes de duas plantas hibridizadas. Se a mãe e o pai são ambos de variedades estáveis, eles geralmente irão produzir descendentes homozigoto previsíveis. Desconsiderando mutações genéticas, um híbrido de duas variedades estáveis produz três fenótipos distintos: fenótipo A, favorecendo as características da mãe; fenótipo B, favorecendo as características do pai; e fenótipo C, que é uma mistura igual dos dois pais. No entanto, se um dos pais, ou ambos, é instável, seu cruzamento produz uma gama de descendentes heterozigotos que podem expressar qualquer número de traços imprevisíveis, e que não correspondam a proporções mendelianas previsíveis.

    Com várias gerações de cruzamento de irmãos e irmãs dos mesmos pais, selecionando com base nos traços desejáveis, um maior grau de consistência e, portanto, previsibilidade pode ser alcançado. Características desejadas tornam-se dominantes e sempre vão aparecer, enquanto traços indesejáveis são gradualmente eliminados do fundo genético e não mais expressos. Para algumas características, o retrocruzamento de plantas com a geração anterior permite que traços se estabilizem mais rapidamente. Muitos breeders erroneamente acreditam que um certo grau de retrocruzamento é necessário para estabilizar uma variedade, mas na realidade essa técnica só é necessária para certas características. Depois de cruzar, e possivelmente retrocruzar por algumas gerações, as características desejadas começam a ser expressas em todos os indivíduos. No entanto, depois de muitas gerações essencialmente limitando e reduzindo o fundo de genes de modo que somente as características únicas desejadas sejam expressas, a escassez resultante do material genético pode levar a um nível de endogamia que é prejudicial para a saúde global e sustentabilidade da variedade.

    Por essa razão, quando variedades começam a sofrer depressão endogâmica, é comum introduzir um novo pai sem parentesco em um processo conhecido como exogamia. Heterose surge de interações alélicas entre genomas parentais, levando a programação alterada de genes que promovem o crescimento, tolerância ao estresse, e aptidão de híbridos. Por exemplo, modificações epigenéticas de genes reguladores fundamentais em híbridos pode alterar complexas redes reguladoras da fisiologia e do metabolismo, modulando assim biomassa e levando a heterose. Pais inbred contém alelos inferiores ou deletérios em vários loci que inibem um bom desempenho geral, enquanto nos híbridos esses alelos inferiores em um dos pais são complementados pelos alelos superiores ou dominantes do outro progenitor. Como resultado, os híbridos têm um desempenho global melhor do que os pais. Esse modelo baseia-se nos aspectos dominante (tipo selvagem) e recessivo (mutante) de desempenho do traço, e complementação genética é provável que ocorra na combinação de alelos dos respectivos pais.
    Apesar de não existir diferença quanto a designação da geração filial (F1, F2...) entre diferentes métodos de reprodução, breeders geralmente utilizam diferentes acrônimos para manter o controle das gerações; p. ex. S1, S2 (autopolinização), BXI, BXII (retrocruzamento).


    6. LANDRACES
    São variedades que crescem de sementes que não foram sistematicamente selecionadas para comercialização ou desenvolvidas por reprodutores de sementes, e que se adaptou naturalmente às condições e ao local de onde se origina (seleção natural favorece traços de utilidade que maximizam a aptidão dentro de um ambiente local). São compostas de uma mistura heterogênea de genótipos, com características suficiente em comum para permitir o seu reconhecimento como um grupo.

    Landraces são moldadas por um equilíbrio entre seleção estabilizadora, que mantém a identidade da variedade local em uma determinada região, e seleção direcional moderada, levando a ajustes lentos às mudanças ambientais. Em alguns casos, mudanças rápidas podem acontecer, especialmente quando a landrace é levada a uma região diferente, ou quando novos materiais são cultivados em estreita proximidade com a landrace original. O desenvolvimento de uma variedade landrace (local) também pode envolver um pouco de seleção por seres humanos, mas ele difere de uma variedade formal que foi seletivamente criada para conformar com um determinado padrão de traços.

    Landraces podem derivar de cultivares modernos se a produção de sementes certificadas for interrompida e as sementes guardadas de suas colheitas plantadas de forma recorrente, sem cuidados para isolamento contra a contaminação das sementes ou pólen. Tal como acontece com muitos outros cultivos (e animais domesticados), as mutações selecionadas por seres humanos são normalmente vantajosas para os seres humanos, mas desvantajosas para as plantas, e a menos que seleção estabilizadora seja praticada, seleção natural pode resultar em degeneração ou reversão (atavismo) do genoma, com características selvagens aparecendo nas plantas cultivadas.

    Devido a sua riqueza na variabilidade genética e adaptabilidade a diferentes ambientes, landraces são os recursos genéticos mais valiosos aos breeders a longo prazo. O método mais antigo de reprodução de plantas com base em um conhecimento elementar das leis da hereditariedade é a seleção de plantas dentro de landraces, com base no pressuposto de que os descendentes dos melhores indivíduos serão superiores aos descendentes de uma amostra aleatória da população. Mas apesar da grande diversidade espontânea que pode ser encontrada em landraces, simplesmente aplicar seleção sobre a diversidade pré existente é um processo desgastante que eventualmente chega a um limite. O verdadeiro poder criativo da reprodução de plantas reside na promoção da recombinação para misturar alelos favoráveis. A combinação de diferentes alelos em muitos loci resulta em um número virtualmente infinito de genótipos.

    Segue um resumo histórico das principais landraces utilizadas na criação das variedades comercializadas hoje em dia.

    México: Na década de 1530, um dos espanhóis liderados por Hernán Cortés colocou seus trabalhadores indígenas para plantar cânhamo espanhol nas montanhas ao redor da Cidade do México. Embora a produção de cânhamo comercial não tenha tido muito sucesso no México colonial, os povos indígenas continuaram a cultivar a planta para algo diferente do que produzir fibra. Por volta de 1770, um padre do planalto central com o nome de José Ramirez aprendeu que os povos indígenas, não muito longe da Cidade do México, estavam consumindo preparações que eles chamavam de pipiltzintzintlis, confecções que lhes davam acesso ao mundo dos espíritos. Temendo idolatria pagã, o padre adquiriu um pouco do misterioso pipiltzintzlis e descobriu, para seu espanto, que pipiltzintzlis consistia simplesmente das folhas e sementes da Cannabis sativa. Pelo final do século XVIII, o pipiltzintzintlis "nativo" tinha se tornado associado com "divinação, visões, e até mesmo loucura".

    Em 1846, a Academia Mexicana de Farmácia publicou uma farmacopeia nacional que registrou a existência de duas linhagens mexicanas independentes de Cannabis: sativa, listada por sua "semente emulsiva", e Rosa Maria, utilizada pelas suas "folhas narcóticas". Outro nome para Rosa Maria era uma palavra que apareceu pela primeira impressa nas páginas da farmacopeia de 1846: mariguana. Na década seguinte, um farmacêutico da Universidade de Guadalajara mencionou que Rosa Maria era fumada em cigarros, a primeira menção a essa prática (aparentemente pipiltzintzintlis eram ingeridos. Pipiltzintzintlis foi, de certa forma, o comestível original).

    Outras referências sucederam nas décadas de 1860 e 1870, conforme a palavra marihuana foi se tornando gradualmente familiar aos leitores de jornais mexicanos. Embora não fosse ilegal, fumar Rosa Maria era considerado anti-católico, e maconha era inequivocadamente compreendida como sendo uma droga perigosa que inspirava atos violentos e levava à loucura. Os relatos da imprensa mexicana da virada do século XX apresentavam maconha como uma substância que transforma fumantes em maníacos homicidas depois de exatamente três pitadas. Aqui, em artigo após artigo, encontramos as origens da imagem "Reefer Madness" posteriormente difundida nos Estados Unidos pela Agência Federal de Narcóticos do Harry Anslinger. Finalmente, podemos ver de onde Harry Anslinger tirou a ideia de promover o Marihuana Tax Act de 1937.

    No final do século XIX, as leis começaram a alinhar-se com a sabedoria popular; restrições sobre a venda de maconha se intensificaram para proibições locais, e culminou com a proibição nacional da Cannabis em 1920. Em 2 de Março de 1920, o Departamento de Saneamento Público do México declarou uma nova lei intitulada "Disposições sobre o cultivo e o comércio de produtos que degeneram a raça". Essa foi a primeira lei na história mexicana a proibir o cultivo e comércio de maconha em todo o país. A proibição da maconha foi em grande parte um assunto interno. No entanto, fatores históricos globais desempenharam um papel ao longo da história mexicana dessa droga, desde o surgimento de "degeneração" como uma espécie de senso comum moderno até a perspectiva global de pensadores mexicanos preocupados com o lugar de seu país na "competição das nações".

    De 1930 até 1975, growers e traficantes mexicanos forneceram quase toda a maconha consumida nos Estados Unidos. Quando no início de 1970, os Estados Unidos reforçaram a repressão às drogas ao longo da fronteira Estados Unidos-México, e o México lançou uma grande campanha contra seus produtores nacionais, o epicentro da produção de maconha no hemisfério foi transferido rapidamente para a Colômbia, especialmente para a Península de Guajira e as encostas da Sierra Nevada de Santa Marta. Assim, com uma menor parte do mercado que tinha outrora, o México começou a produzir quantidades maiores de variedades de maior qualidade, como a lendária Acapulco Gold, ao invés das variedades comerciais que eram previamente exportadas. As landraces mexicanas dessa época eram geralmente nomeadas de acordo com a região onde eram cultivadas (p. ex. Guerrero, Michoacán, Oaxacan, Tijuana, Zacatecas), e caracterizadas por um efeito cerebral psicoativo. Na segunda metade da década de 1980, quando o México assumiu de volta a produção comercial da Colômbia, a maioria das variedades regionais já tinham desaparecido. Para competir com a exportação de outros países, o México começou a usar landraces internacionais, a aparar de uma melhor forma a sua colheita, e a remover a maioria dos machos para reduzir a produção de sementes.

    Colômbia
    : O cultivo de Cannabis chegou à Colômbia através do Panamá durante a primeira década do século XX. Por volta da década de 1930, um cultivo limitado havia se estabelecido entre a população negra costenha centrada em Barranquilla, se expandindo posteriormente por todo o país. Produzidos sobretudo ao longo do eixo andino do café na cordilheira ocidental, e na área em torno das plantações da United Fruit Company, no sopé sudeste da Sierra Nevada de Santa Marta, os cultivares de Cannabis da Colômbia não foram planejados à exportação. A exportação começou não intencionalmente na década de 1950, com marinheiros e outros trabalhadores móveis exportando maconha colombiana (landrace Punto Rojo) para os EUA e outros países vizinhos em pequenas quantidades. No final dos anos 1960, redes clandestinas para produção de Cannabis na região andina estabeleceram rotas através dos portos naturais da península caribenha de Guajira. Financiados e tecnicamente auxiliados por investidores colombianos e americanos, as primeiras colheitas produzidas exclusivamente para exportação apareceram no solo árido do lado Guajira da Sierra Nevada de Santa Marta, nos sopés oeste e nordeste.

    Maconha colombiana era dividida basicamente em duas linhagens, uma das áreas úmidas de baixa altitude das zonas costeiras ao longo do Atlântico, de efeito narcótico e sedativo e outra das áreas montanhosas mais áridas do interior de Santa Marta, de efeito cerebral. A criação da Colombian Golden, ou Santa Marta Gold, uma variedade aperfeiçoada caracterizada pelo seu sabor delicado e efeito suave, não só introduziu uma nova variedade moderna de Cannabis para os mercados contraculturais norte-americanos, como também apoiou a consolidação de uma nova economia regional na parte norte extrema do caribe colombiano. A produção da La Mona Amarilla (buds dourados) é alcançada por anelamento ou retirada de uma tira de casca do caule principal de uma planta quase madura, restringindo o fluxo de água, nutrientes, e produtos vegetais. Durante vários dias as folhas secam e caem, enquanto as flores morrem lentamente e se tornam amarelas. Essas inovações qualitativas converteram o caribe colombiano no maior fornecedor de maconha do mundo naquele momento, e ligaram as penínsulas de Guajira e da Flórida em um único circuito, altamente rentável, que atingiu seu pico entre 1972 e 1978.

    As potenciais ameaças geoestratégicas, juntamente com preocupações de segurança nacional da Guerra Fria, e considerações de política externa no lado colombiano, levaram os governos dos Estados Unidos e Colômbia a trabalhar juntos na repressão ao tráfico de maconha. Operando como um estado de fato de sítio, essa campanha bilateral conseguiu tornar a produção e transporte de Cannabis uma atividade cara e arriscada, o que contribuiu para o declínio acentuado do tráfico em meados da década de 1980. Essa efetiva campanha de erradicação forçou os traficantes a realocar o cultivo de Cannabis para novas áreas, particularmente as regiões oeste e centro-norte da Colômbia. Hoje em dia, um cultivo significante de Cannabis ressurgiu em áreas previamente fumigadas.

    Tailândia
    : Assim como em muitas outras partes do mundo, a Cannabis tem uma longa história de uso no Sudeste Asiático. Cannabis tem sido historicamente utilizada no Sudeste Asiático como: um ingrediente, um condimento em alimentos, um medicamento, e uma fonte de fibra. Durante a maior parte de sua história registrada, a Tailândia, assim como muitas outras nações, não tinha leis proibindo o uso ou posse de Cannabis. Isso começou a mudar no início do século XX, com o primeiro tratado de controle internacional de drogas, a Convenção Internacional do Ópio de 1912. Como um dos signatários originais, a Tailândia, então chamada Siam, promulgou uma legislação anti-drogas que lhe permitiu receber doações internacionais, empréstimos, e benefícios. Embora a Cannabis tenha sido especificamente proibida desde 1937, as penalidades eram relativamente leves e mal-aplicadas.

    A associação da Tailândia com o uso recreativo de Cannabis emergiu no centro das atenções do público internacional durante o final da década de 1960. A década de 1960 foi marcada pela agitação social nos Estados Unidos, devido a grande parte da energia do país estar focada em uma longa guerra no Sudeste Asiático. A Tailândia sediou as principais bases para soldados americanos servindo no Vietnã, e também era o principal destino de descanso e recreação para os soldados em licença. Os relatórios indicam que as tropas americanas começaram a fumar maconha logo após sua chegada em 1963. Curiosamente, a palavra bong tem sua origem na experiência dos soldados americanos da Guerra do Vietnã. Acredita-se que bong deriva da palavra baung, utilizada para descrever um cachimbo, tubo, ou recipiente cilíndrico feito a partir da haste de bambu.

    A Guerra do Vietnã (1955-1975) mudou tremendamente as circunstâncias do Sudeste Asiático, e também abriu o caminho para grandes fazendas de cultivo de Cannabis nas províncias da Tailândia do nordeste de Isan, especialmente na província de Nakhon Phanom, perto da fronteira com o Laos. Do final da década de 1960 até 1988, um dos cartéis de drogas mais bem sucedidos do mundo operava a partir de Bangkok, enviando centenas de toneladas de Thai Stick globalmente. A Tailândia foi o maior cultivador de Cannabis e produtor de maconha do sudeste da Ásia nas décadas de 1970 e 1980.

    O governo americano abriu seu primeiro escritório em Bangkok em 1963, e atualmente mantém escritórios em Bangkok, Chiang Mai, e Udon Thani. O DEA (Drug Enforcement Administration) executa uma série de programas dentro da Tailândia. Em 1976, o rei da Tailândia, Bhumibol, proclamou a Lei de Controle de Narcóticos, B. E. 2.519, que determinou a formação da ONCB (Office of Narcotics Control Board), financiada pelo governo americano. Hoje em dia, a Tailândia já não mantém seu status como um grande produtor de Cannabis. Os esforços de erradicação do governo tailandês forçaram os traficantes de maconha a realocar suas operações de cultivo para países vizinhos, como Laos e Camboja. No entanto, alguns cultivos domésticos da planta ainda ocorrem no nordeste da Tailândia, particularmente nas províncias de Nakhon Phanom, Mukdahan, e Sakhon Nakhon.

    Maconha não é uma palavra comum para Cannabis na Tailândia. Na Tailândia, maconha é referida como ganja. Thai Stick é feito dos buds sem semente de Cannabis, dobrados e amarrados à haste da planta (há rumores de que, por vezes, era finalizado por intermédio da imersão em óleo de Cannabis ou ópio). Landraces tailandesas são conhecidas pela sua brisa cerebral, e por ter um dos períodos de floração mais longos conhecidos na Cannabis. Algumas variedades tailandesas levam até 20 semanas para florescer devido à falta de variação de temperatura e de luz entre as estações, um fenômeno que muitas vezes afeta o fotoperiodismo na Cannabis em regiões equatoriais.Variedades tailandesas chegam a tamanhos incríveis, e frequentemente rastejam o solo, conforme os buds se tornam muito pesadps para os ramos suportarem. Algumas variedades podem começar até a exibir locais de raiz ao longo das partes dos ramos que permanecem em contacto com o solo. As variedades tailandesas são bastante propensas ao hermafroditismo, uma característica que acredita-se ser genética ao invés de induzida ambientalmente.

    Afeganistão: Afeganistão, juntamento com Paquistão e Irã, formam a Crescente Dourada, uma área conhecida pelo cultivo e tráfico de ópio e haxixe desde o período onde papoulas foram introduzidas da Europa pelos comerciantes árabes ao longo da Rota da Seda. Al-Ukbary conta a história de como a Cannabis foi descoberta pelo líder religioso Shaikh Haidar, um dos fundadores da ordem Haidari de Sufis em Kharasan (noroeste do Irã e Afeganistão). Haidar viveu em um mosteiro nas montanhas de Rama por volta de 1200. Enquanto andava no campo no calor do meio-dia, ele descobriu as propriedades divinas de uma planta que apaziguava a fome e a sede, ao mesmo tempo que proporcionando alegria. Ele disse aos seus discípulos: "Deus Todo-Poderoso concedeu a vocês, por um favor especial, as virtudes desta planta, que irá dissipar as sombras que obscurecem as vossas almas e iluminarão os seus espíritos". Mesmo que a história do velho monge possa não ser verdadeira, alguns dos Sufis fizeram uso de haxixe em suas práticas religiosas e espalharam o seu consumo em toda a sociedade islâmica, introduzindo-o à Síria e ao Egito.

    Cannabis tem sido cultivada há séculos no Afeganistão, e em grande parte, ignorada pelas autoridades responsáveis em virtude da natureza desolada e independente das comunidades que produzem Cannabis. Haxixe tornou-se ilegal em 1957, supostamente sobretudo como uma concessão à pressão dos Estados Unidos, mas persistiu como uma droga comum no país. Após a viagem dos Beatles à Índia em 1968, há um grande aumento no número de mochileiros interessados em explorar o "Oriente Místico", viajando através da "trilha hippie". Geralmente o termo "trilha hippie" descreve uma rota popular, embora variada, através de partes da Ásia a partir da borda da Europa para a Índia e o Nepal, e fazem parte da antiga Rota da Seda.

    Quando eles chegaram no Afeganistão, os hippies foram acolhidos em uma cultura de haxixe que pouco havia mudado ao longo dos últimos quatro séculos. De fato, uma vez que o governo afegão percebeu o potencial de exportação do haxixe no final da década de 1960, ele incentivou o uso de fertilizantes artificiais no cultivo de Cannabis para aumentar a produção. Durante o final da década de 1960, o haxixe da mais alta qualidade vinha das antigas cidades de Balkh e Mazar-i-Sharif no norte do Afeganistão, ao norte das montanhas do Hindu Kush, perto da fronteira com o Uzbequistão. No entanto, como resultado da localização remota do Afeganistão e de seus terrenos difíceis, menos hippies visitaram lá do que as partes mais acessíveis da Ásia.

    A alta qualidade do haxixe afegão incitou os ocidentais a começar a traficar grandes volumes da droga. Durante o final da década de 1960 e início dos anos 1970, o famoso sindicato de tráfico de drogas americano, The Brotherhood of Eternal Love, teve uma enorme influência sobre a exportação e popularização do haxixe afegão. Campos enormes de Cannabis foram cultivados entre 1970-1973 ao longo das principais estradas que atravessam o norte e centro do Afeganistão, do Irã até o Paquistão. A região em torno de Mazar-i-Sharif foi a mais famosa, mas grandes plantações de Cannabis também eram abundantes em torno de Kandahar, no sul do Afeganistão, especialmente perto de Gereshk e Lashkar Gah.

    No entanto, no início de 1973, o governo dos Estados Unidos pagou as autoridades afegãs quarenta e sete milhões de dólares para destruir plantações de Cannabis e Papaver (papoula) dentro de suas fronteiras. Um dos últimos decretos do rei Zahir Shah, antes de ser derrubado, proibiu o cultivo de Cannabis e Papaver, com efeito imediato. O decreto foi largamente ignorado visto que os agricultores afegãos vinham cultivando essas plantas há séculos, e não iriam parar agora por causa de uma lei boba de um rei que acabara de ser destronado. Em 1979, o Afeganistão foi invadido pelos soviético, provocando mais de 30 anos de guerra e derramamento de sangue que continuam até hoje.

    Cannabis tem sido cultivada no Afeganistão a milhares de anos, a tal ponto que landraces características se estabeleceram em seu território, incluindo as variedades kafiristanica e afegânica, essa última apresentando muitas das características normalmente associadas com biótipos indica. Muitas das características distintivas da variedade afegânica também são características desejáveis ao produtor de maconha comercial. Plantas afegânicas são baixas, com folhas verde escura grandes, e amadurecem cedo, antes das geadas de inverno em áreas nórdicas, o que ajudava a evitar a sua detecção pela polícia ou ladrões. Essas plantas produzem uma quantidade abundando de resina, possuem buds densos, e produzem uma Cannabis com gosto e cheiro característicos. Essas variedades foram introduzidas na America do Norte e Europa por mochileiros regressando da "trilha hippie" durante o final da década de 1960 e durante a década de 1970, e por soldados americanos durante a década de 1980, quando o Afeganistão foi ocupado pelos soviéticos.


    7. AS GENÉTICAS POR DETRÁS DOS NOMES COMERCIAIS
    Ao longo de séculos civilizações cultivaram Cannabis, sempre favorecendo e selecionando landraces potentes. Mas nos Estados Unidos, apesar do cultivo de Cannabis ter sido legal até 1937, o cultivo de variedades para a produção de drogas só começa realmente durante a década de 1960, com usuários curiosos semeando as sementes encontradas na Cannabis importada. No entanto, landraces tropicais da Colômbia e Tailândia raramente amadureciam até a fase de florescimento antes que as geadas temperadas do norte as matassem, enquanto landraces subtropicais do México e Jamaica ocasionalmente amadureciam ao ar livre nas regiões mais quentes do sul dos Estados Unidos. No começo da década de 1970, a técnica de cultivo sinsemilla (sem semente), originária da Índia, começou a ganhar popularidade nos Estados Unidos. E em 1976, a técnica passou a ser o padrão no cultivo ilegal de Cannabis nos Estados Unidos, com o lançamento do livro Sinsemilla Marijuana Flowers.

    Isso, por sua vez, acelerou a criação intencional de variedades mais potentes, com diversos breeders clandestinos desenvolvendo variedades a partir de landraces de biótipo sativa mais potentes e distintas (p. ex. Original Haze, Maui Wowie), assim como híbridos de maturação mais curta do cruzamento de landraces tropicais e semitropicais de biótipo sativa com landraces afegãs de biótipo indica. Esses híbridos se espalharam rapidamente por toda a América do Norte, conforme os growers perceberam que eles possuíam as qualidades de maturação precoce e grande potência, e também porque eram mais difíceis de ser detectados pela polícia ou por vizinhos mal intencionados. No começo da década de 1980, híbridos desenvolvidos principalmente na Califórnia começam a ser levados para a Holanda, onde passam a ser comercializados em seedbanks (bancos de sementes), juntamente com landraces de regiões internacionais exóticas, dando o pontapé inicial na ascensão da Indústria de Cannabis moderna.

    Segue um breve resumo de algumas das variedades cultivadas que tiveram maior impacto na formação da Indústria de Cannabis moderna.

    Haze: Em 1969, G., um surfista local de Santa Cruz na Califórnia, resolveu plantar Cannabis pra conseguir ter seu fumo de graça, e de quebra fazer um trocado rápido. G. plantou algumas sementes de Punto Rojo (landrace colombiana), que foram polinizadas dando origem a 4 fenos: Magenta, Blue, Silver e Gold. G., em parceria com um amigo, plantou esses fenótipos por algumas temporadas, selecionando sempre os melhores exemplares para a produção das sementes do cultivo seguinte. Original Haze era bastante consistente como F1, mas quando a variedade chegou a F5 e acima, ela já havia segregado em muitas linhagens relacionadas diferentes. E em 1979, 10 anos depois, Original Haze já apresentava perda de vigor. Durante a década de 1970, três irmãos, dois dos quais cursavam faculdade em Santa Cruz, começaram a movimentar grandes quantidades de Original Haze para a região leste americana. A criação do Original Haze é muitas vezes erroneamente atribuída a eles, os Haze Brothers, como se auto-denominavam. Em 1984, David Watson, também conhecido como Sam The Skunkman, que morava no mesmo quarteirão que G., se mudou para a Holanda, levando com ele as variedades Haze que ele havia perpetuado por polinização aberta. David vendeu essas sementes para alguns breeders, perpetuando e preservando a linhagem.

    Skunk
    : Skunk #1 (Afghan/Colombian x Acapulco Gold) foi criado por David Watson no final da década de 1960, na Califórnia. Acapulco Gold foi utilizada para acelerar o tempo de maturação da Afghan x Colombian que era demasiadamente longo. Em 1976, David criou o Sacred Seeds, o primeiro seedbank a oferecer híbridos entre biótipos sativa e indica. Em 1984, David se mudou para a Holanda, onde vendou sementes das suas variedades, entre elas a Skunk #1, a Nevil Schoenmakers. Nevil, apelidado de "O rei da Cannabis" em 1985 pela revista High Times, é o breeder de muitas das variedades modernas mais populares. Em 1976, quando foi oferecido comercialmente pela primeira vez, Skunk #1 ficou conhecido pelo fenótipo Road Kill Skunk. No entanto, durante o começo da década de 1980, David trabalhou para suavizar o sabor e o aroma do Skunk #1, e produzir predominantemente características do fenótipo Sweet Skunk. Cheese, um fenótipo de Skunk #1 que obteve bastante popularidade na década de 1990, sendo extensivamente cultivado por uma rede clandestina de produtores no Reino Unido, é um bom exemplo do fenótipo Road Kill Skunk. O nome Skunk vem do odor pungente do fenótipo Road Kill Skunk. No Brasil, Skunk é frequentemente utilizado como um termo para diferenciar qualquer fumo de qualidade superior. Skunk #1 é considerado o primeiro híbrido estável comercializado.

    G-13
    : É a variedade que acumulou a maior quantidade de mitos urbanos. A história mais propagada é de que ela foi cultivada na década de 1970 pelo governo dos Estados Unidos, e utilizada em pesquisas na Universidade do Mississipi, coloquialmente conhecida como Ole Miss, juntamente com outras 22 plantas de sementes afegãs, rotuladas de G-1 a G-23, sendo a G-13 muito superior às outras. Mas não há nenhum registro de uma planta G-13 nos arquivos da Universidade. Outra versão diz que a G-13 é originária de um vidro com sementes confiscadas pelo DEA, rotulado de lote-13, furtado da Ole Miss. Uma terceira versão diz que as sementes dos lotes confiscados pelo DEA eram testadas pela Ole Miss, e que G-13 é somente um código do sistema de classificação utilizado para diferenciar uma variedade com utilidade médica. Seja qual for a verdade, Nevil Schoenmakers supostamente conseguiu comprar por U$500 um clone da G-13 de Sandy Weinstein através de um amigo mútuo entre eles, e o utilizou na criação de diversos híbridos que são popularmente comercializados ainda hoje. Sandy, por sua vez, teria conseguido a G-13 através de um amigo, um estudando de botânica estagiando sob orientação do Dr. Carlton Turner, que comandava o programa da Ole Miss. Esse estudante teria dado a Sandy um punhado de variedades afegãs que haviam mostrado potencial no programa de produção de maconha clinicamente classificada da Ole Miss. Reza a lenda que logo após a morte de Sandy Weinstein em 1987, o clone adquirido por Nevil definhou.

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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    carai deu over de info
    kkkkk

    para digerir tudo isso aqui vai levar tempo, informação pra mais de metro


    valeuzasso shortlived
    só nao seja curto e breve


    volte para comentar as perguntas que vaão surgir

    noix
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  4. Los siguientes 8 Usuarios dan las gracias a Verdim por este Post:

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    Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    Northern Lights: Durante a década de 1970, um lote de sementes enviado do Afeganistão acabou nas mãos de Steve Murphy, dono da loja de cultivo The Indoor Sun Shoppe, em Seattle. Greg, um veterano da marinha americana adquiriu 4 dessas sementes por intermédio de Herbie Nelson, um amigo de infância que trabalhava para Steve. Greg, Herbie, e amigos cultivaram essas sementes e as utilizaram para criar 11 híbridos, que vieram a ser conhecidos como a família Northern Lights (NL). As 11 variedades de NL foram classificadas pelo grupo por altura e sabor para o cultivo indoor. NL#1-NL#4, eram compostas por híbridos do cruzamento com diferentes variedades afegãs. NL#5, a mais famosa, era um híbrido do cruzamento da NL#1 com uma variedade havaiana. NL#6-#11 eram híbridos do cruzamento com variedades mexicanas, colombianas, e tailandesas. NL foi desenvolvida por e para veteranos da Guerra do Vietnã (1954-1975) em busca de uma Cannabis medicinal. O grupo mandou fotos dos buds da NL#5 para Nevil Schoenmakers, que elogiou sua qualidade. Greg então enviou pelo correio 11 pacotes de sementes contendo a família NL para Nevil. Três dessas linhagens (#1, #2, #5) vieram a dar origem a uma enorme quantidade de híbridos, por serem uma das poucas variedades de biótipo indica disponíveis na Holanda durante a década de 1980. As sementes também foram enviadas para Ben Dronkers, do Sensi Seeds, como um agradecimento por ter ajudado o grupo com uma fórmula de nutrientes.

    Diesel
    : Em 1991, na pequena cidade turística de Crested Butte (bastante procurada para a prática de esqui), Colorado, dois amigos locais, J.B e Pbud, descolaram um fumo indoor de alta qualidade. Esse fumo era conhecido como The Dog porque depois de fumá-lo, você "rolava como um cachorro". No entanto, J.B começou a se referir ao fumo como Chem (químico) devido ao seu aroma e sabor. Mais tarde naquele ano, os dois amigos atenderam a um show do Grateful Dead no anfiteatro de Deer Creek, em Indiana, onde conheceram e ficaram amigos de um cara para quem venderam cerca de 30 gramas do The Dog por U$ 500. Eles trocaram números de telefone, e posteriormente combinaram de enviar cerca de 60 gramas adicionais pelo correio para esse cara na costa leste. Nos buds enviados foram encontradas 12 sementes; três sementes foram cultivadas naquele ano, dando origem a três fêmeas que receberam os nomes de Chemdog, Chemdog a, e Chemdog b. Por volta de 1993, Chemdog já tinha ganho certa reputação local como um fumo de alta qualidade. Em um show da banda Phish, Chemdog (o "breeder" da variedade), conheceu e ficou amigos de um grupo de nova-iorquinos, com quem acabou posteriormente trocando um clone da sua Chemdog por um clone de Super Skunk. O pessoal de New York não gostou do nome Chemdog, renomeando a variedade para Diesel, aka NYC Diesel.

    Um dos nova-iorquinos, Weasel, cruzou sua Super Skunk com um macho de NL do Sensi Seeds. Das sementes resultantes ele selecionou um macho e o cruzou com a Chemdog, produzindo a variedade Underdawg Diesel (Diesel no.1, Headband Diesel, Daywrecker Diesel). Mais tarde naquele ano, outra planta do grow de Weasel se tornou hermafrodita, e acabou polinizando uma Underdawg Diesel, dando origem a variedade Sour Diesel. Em 1996, um amigo de Chemdog se mudou para próximo do Lake Tahoe, na fronteira entre Califórnia e Nevada, levando com ele um clone de Chemdog. Seu clone estressou um pouco e acabou auto-polinizando. Ele cultivou essas sementes, e o fenótipo que se destacou foi nomeado OG Kush (Original Kush) como uma afronta ao pessoal da costa leste, por ter renomeado a Chemdog para Diesel. Em 2001, Chemdog germinou mais 3 sementes, rotuladas de Chemdog c, d, e e; e nunca chegou a germinar, c era ruim, e a d foi salva e perpetuada por ser se assemelhar bastante ao The Dog original. Em 2006, Chemdog se reunificou com J.B, e deu a ele 4 sementes encontradas nos buds da The Dog, vindo dar origem a mais 4 plantas, rotuladas de Chemdog 1, 2, 3, e 4. Chemdog perdeu as últimas 2 sementes.

    Lowryder
    : The Joint Doctor cresceu em uma fazenda, e desenvolveu desde cedo um interesse por plantas com características incomuns. Durante sua adolescência, cuidar das plantas de Cannabis de seu pai fazia parte das suas tarefas diárias. Quando entrou na faculdade, levou com ele algumas sementes que cultivou em seu dormitório, de onde levou a ideia de criar variedades para o cultivo em pequenos espaços. Durante essa época, se tornou amigo de um expatriado mexicano que vinha coletando variedades incomuns a mais de 30 anos. Uma das variedades presenteadas por esse seu amigo, Mexican Rudy, despertou o seu interesse visto que ficava baixa e florescia antes do que qualquer outra variedade da sua coleção. Primeiro ele cruzou a Mexican Rudy com uma NL#2, que também é uma variedade compacta, porém mais potente. Essas F1's foram então cruzadas com uma William's Wonder, produzindo algumas plantas masculinas que floresciam imediatamente quando ainda eram basicamente mudas, mesmo recebendo 24 horas de luz. The Joint Doctor utilizou essas plantas como polinizadores, e a próxima geração consistiu exclusivamente de pequenas plantas com o traço de autofloração (recessivo). Ele cultivou essas plantas por algumas gerações, sempre selecionando os melhores espécimes para a produção das sementes do cultivo seguinte, até o seu lançamento comercial em pequena escala em 2003. Nos anos seguintes, a conveniência do crescimento rápido e baixa manutenção tornou variedades automáticas bastante populares entre cultivadores amadores.

    Cannatonic
    :Em 2008, foi estabelecido na Califórnia o primeiro laboratório analítico não federal da Indústria de Cannabis para uso medicinal nos Estados Unidos. Com isso, os dispensários passaram a utilizar os níveis de fitocanabinoides para indicar a potência das variedades comercializadas aos pacientes. Essa prática acabou revelando que a presença de CBD era extremamente rara entre as variedades analisadas. Isso provocou o desenvolvimento de um programa colaborativo entre pesquisadores, médicos, laboratórios, fornecedores e consumidores que revelou que apenas 1 em 750 amostras analisadas continham níveis significativos de CBD, com uma percentagem ainda menor realmente rica em CBD. No ano seguinte (2010), esse programa colaborativo veio a dar origem ao Projeto CBD, um serviço educacional sem fins lucrativos dedicado a promover e divulgar a investigação sobre a utilidade médica do CBD e de outros componentes da Cannabis. A Cannatonic ganhou notoriedade por ter sido a primeira variedade testada a apresentar níveis equivalentes de THC e CBD, e com o aumento da notoriedade do CBD, o consumidor passou a buscar variedades com níveis elevados de CBD.

    Kush
    :Refere-se a um subconjunto de variedades proveniente principalmente do Afeganistão, e por vezes Paquistão e norte da Índia. Seu nome vem da cordilheira do Hindu Kush, que se estende entre o Afeganistão e o norte do Paquistão, incluindo as áreas nas fronteiras ocidentais das Montanhas Pamir (uma extensão das montanhas do Himalaia). As montanhas do Hindu Kush tem florestas acima de 800-1000 metros e prados alpinos abaixo; vários textos iranianos antigos, como o Avesta, referem-se a esse território como sendo rico em recursos vegetais. Acredita-se que a variedade afegânica (Cannabis sativa ssp. indica var. afghanica) evolui no sopé das montanhas Hindu Kush, sendo eventualmente utilizada para a produção de haxixe na região. Assim como Skunk, Kush é frequentemente utilizado como um termo para designar uma variedade de alta qualidade.

    Gold/Orange/Red
    : Embora mudanças de cor indiquem carências nutricionais, elas ocorrem também em exemplares saudáveis e são resultado de influências genéticas e ambientais. É perfeitamente natural que as folhas da Cannabis mudem de cor e morram conforme a planta atinge a sua fase final, manifestando diversos tons de verde, amarelo, dourado, e mais. Carotenóides são pigmentos de cores vermelha, laranja, e amarela, solúveis em lípidos, encontrados incorporado nas membranas dos cloroplastos e cromoplastos. Sua cor é inicialmente mascarada pela clorofila nos tecidos fotossintéticos, mas nos estágios finais do desenvolvimento da planta esses pigmentos contribuem para as cores vivas de muitas flores e frutas. Exemplos notáveis incluem betacaroteno (p. ex. cenoura, batata doce), e licopeno (p. ex. tomate, melancia). Absorção dietética de carotenóides pode fornecer pigmentação para os tecidos de alguns animais marinhos (p. ex. camarão, lagosta) e pássaros (p. ex. flamingo, canário), melhorando o seu sistema imunitário e, em muitos casos, proporcionando uma vantagem sexual seletiva. Carotenóides são os segundos mais abundantes pigmentos (só perdendo para as clorofilas) que ocorrem naturalmente na Terra, com mais de 750 membros. Eles são isoprenoides lipofílicos sintetizados em todos os organismos fotossintéticos (bactérias, algas e plantas), assim como em algumas bactérias e fungos não fotossintéticos.

    Carotenóides protegem os organismos fotossintéticos contra processos fotooxidativos potencialmente nocivos, e são componentes estruturais essenciais dos complexos de antenas fotossintéticas e centros de reação. Carotenóides podem exercer proteção dissipando o excesso de energia na forma de calor, um fenômeno chamado extinção não fotoquímica, ou pela eliminação de espécies reativas de oxigênio. Além disso, carotenóides podem ser transformados em moléculas de sinalização menores que regulam várias fases do ciclo de vida da planta. Existem evidências crescentes de que a carotenogênese em tecidos de plantas é predominantemente regulada ao nível de transcrição. Transcricionalmente, genes PSY (uma enzima que limita a velocidade na biossíntese de carotenóides) são induzidos em resposta a vários fatores como: desenvolvimento, ácido abscísico, luz alta, sal, seca, temperatura, fotoperíodo, e regulação por realimentação pós-transcricional. Tecidos vegetais, em particular pétalas de flores e frutas, tem uma grande variedade de carotenóides totais, variando de pouco (ou nada) a grandes quantidades, até mesmo dentro da mesma espécie de planta. A quantidade de carotenóides nos tecidos não é atribuída exclusivamente à capacidade de sintetizar carotenóides. Alguns tecidos de plantas têm a capacidade de sintetizar carotenóides, mas contêm apenas uma quantidade vestigial de carotenóides. No entanto, o mecanismo que controla o acúmulo de carotenóides é em grande parte desconhecido.

    Blue/Purple/Red: Antocianinas, do grego anthos (flor) e kyáneos (azul), são pigmentos polifenólicos que pertencem ao grupo dos flavonoides, e são responsáveis por muitas das cores azuis, roxas, e vermelhas presentes em tecidos vegetais, como folhas, frutas, e flores. Mais de 700 antocianinas estruturalmente distintas, derivadas de 27 agliconas (antocianidinas), já foram identificadas na natureza. Antocianinas desempenham um papel importante na atração de animais, promovendo assim a polinização e dispersão de sementes, e, através da absorção de luz, contribuem para proteger as plantas do dano induzido por radiação ultravioleta. Muitas plantas acumulam antocianinas somente durante fases de desenvolvimento específicas e em tecidos específicos. Além disso, antocianinas também são induzidas pelo estresse, tal como luz elevada, baixa temperatura, ferimento, infecção patogênica, e deficiência de nutrientes. O acúmulo de antocianinas nos tecidos vegetais como resultado das condições mais frias do outono ou inverno já foi relatado para muitas plantas. Acredita-se que o gatilho geral para esse fenômeno seja excesso de irradiância (energia) e baixas temperaturas, como encontradas no outono. A depressão resultante na capacidade de uso de luz estimula a síntese de antocianinas nas camadas periféricas do mesofilo das folhas, atenuando a energia luminosa e, assim, protegendo as plantas de fotoinibição.

    Além do fator de baixa temperatura na indução de antocianinas, baixo potencial osmótico correspondente com a seca também pode conduzir à síntese de antocianinas. Antocianinas podem ser induzidas por estresses osmóticos como alta salinidade e seca. Além disso, a síntese de antocianinas melhora a resistência ao estresse oxidativo causado por baixo potencial osmótico. Um aumento no teor de sacarose exógena pode reduzir o potencial osmótico, aumentando assim a biossíntese de antocianinas. Na maioria das espécies, a coloração de tecidos de plantas resulta do acúmulo de pigmentos antociânicos nos vacúolos de células (sub)epidérmicas, e antocianinas mudam a sua cor dependendo do pH do vacúolo no qual estão localizadas; sua cor é mais azulada em um pH ligeiramente ácido ou neutro, e mais avermelhada em pH ácido. Para essas cores se desenvolverem, uma planta de Cannabis deve ter o potencial metabólico controlado geneticamente para produzir pigmentos antociânicos, juntamente com uma capacidade de resposta às mudanças ambientais, de tal modo que pigmentos antociânicos sejam desmascarados e se tornem visíveis. Isso também significa que uma planta pode ter os genes para a expressão dessas cores, mas que elas nunca sejam expressas se as condições ambientais não desencadearem pigmentação antociânica ou quebra de clorofila. Variedades Kush e landraces colombianas frequentemente desenvolvem coloração roxa quando submetidas a temperaturas baixas a noite durante a maturação.

    Outros: Características como rápida maturação, altura, aromas, sabores e etc., também são frequentemente utilizados na escolha dos nomes. (p. ex. Early Pearl, Low Girl, Lemon Skunk, Chocolate Thai).

    As variedades comercializadas não são formalmente registradas e, portanto, sua identidade e estabilidade não são garantidas. Assim, quando uma variedade atinge grande notoriedade, é comum que outras marcas comecem a vender sua própria versão, assim como a utilizam para novas cruzas. Vale salientar, no entanto, que mais de 90% das variedades que ganharam status de variedades lendárias não são encontradas para comercialização já que estão extintas ou nas mãos de alguns poucos indivíduos. E entre as disponíveis, boa parte já perdeu qualidade pois não tem o mesmo vigor de 10, 20 anos atrás. Assim como acontece com qualquer produto, diferentes marcas possuem diferentes reputações, desde o pequeno produtor orgânico até o renomado produtor em larga escala. Não existe uma marca melhor do que a outra. O que existe é a preferência do consumidor, que é limitada de acordo com suas experiências. O segredo da qualidade está em uma seleção e reprodução conscientes, e o potencial genético está diretamente ligado às habilidades do cultivador.


    8. QUIMIOTIPO

    Um quimiotipo é uma entidade química distinta em uma planta ou microrganismo, com diferenças na composição dos metabolitos secundários. Em outras palavras, quimiotipo é a constituição química da planta/microrganismo, ou seja, seu fenótipo químico. A composição química (proporção entre os fitocanabinoides) em um dado quimiotipo de Cannabis deve ser constante, mesmo que ele viva sob condições ambientais (ligeiramente) diferentes, pelo menos nos seus compostos principais, os fitocanabinoides. Quimiotipos THC dominante são originariamente predominantes em países localizados entre os trópicos, enquanto quimiotipos THC/CBD misto e CBD dominante são originariamente predominantes em países localizados entre os trópicos e os círculos polares.

    Mudanças no quimiotipo em consequência da introdução a um novo ambiente são comuns, com regiões quentes e ensolaradas favorecendo a biossíntese de THC e regiões frias e nubladas favorecendo a biossíntese de CBD. Assim, o cultivo de variedades semitropicais e tropicais com alto nível de THC por growers em latitudes mais frias gera plantas bastante potentes no primeiro ano que são cultivadas, mas que rapidamente perdem potência nas gerações subsequentes. Paralelamente, cultivares de cânhamo ganham potência ao longo de gerações quando cultivados em latitudes mais quentes, perto do equador. No entanto, restrições latitudinais sobre a produção de fitocanabinoides é de pouca importância na determinação do perfil químico em comparação com influências humanas. Sendo assim, latitudes mais frias são adequadas para a produção de quimiotipos THC dominante desde que eles sejam fortemente selecionados para níveis altos de THC e maturação precoce.

    Apesar do quimiotipo estar associado principalmente a origem geográfica, isso não limita a presença de diferentes quimiotipos em biótipos sativa e indica uma vez que o perfil fitocanabinoide está protegido pelo controle genético. Plantas pertencentes à mesma população muitas vezes mostram perfis fitocanabinoides distintos. THC e CBD são os principais fitocanabinoides em quimiotipos cultivados para a produção de drogas, enquanto CBD e CBG são os principais fitocanabinoides em quimiotipos cultivados para a produção de fibras (cânhamo). Entre os quimiotipos cultivados para a produção de drogas, biótipos indicas (Cannabis sativa ssp. indica biótipo indica) são tradicionalmente cultivados para a produção de haxixe, enquanto biótipos sativas (Cannabis sativa ssp. indica biótipo sativa) são geralmente utilizados para a produção de maconha.

    Devido a escassez de CBD na maioria das variedades comercializadas, muita gente acredita que THC é dominante e CBD recessivo. No entanto, o fato de que é possível a expressão de quimiotipos THC/CBD misto reflete uma codominância entre THC e CBD. Contudo, estudos e análises retratam um cenário mais complexo do que uma simples codominância, com diversas duplicações de genes conectadas (resultando em genes parálogos), responsáveis pelos diversos fenótipos THCA e CBDA (níveis baixos, altos, ou intermediários). Além do mais, plantas com quimiotipo THC/CBD Misto produzem geralmente mais CBD do que THC, o que sugere que, apesar de expressar uma sintase THCA funcional, a sintase CBDA é uma concorrente superior para o seu precursor comum, o ácido canabigerólico. Assim, a ausência de uma sintase CBDA funcional é essencial para a potência das variedades de Cannabis.

    Estudos mostram que a proporção de THC para CBD pode ser atribuída a um de três quimiotipos e que alelos BT e BD codificam alozimas que catalisam a conversão de CBG para THC e CBD, respectivamente.

    BT/BT - Esse quimiotipo é contraindicado para o grupo de risco (pessoas com um histórico de psicose, depressão, ansiedade ou outros transtornos mentais, bem como pessoas com problemas cardiovasculares preexistente) uma vez que produz níveis baixos de CBD e níveis elevados de THC.
    BT/BD - Esse quimiotipo não é aconselhado para casos mais severos. As evidências anedóticas apontam que esse quimiotipo é benéfico na maioria dos casos. No entanto, alguns usuários relatam que ainda possuem suas patologias realçadas dependendo das condições e da dosagem utilizada.
    BD/BD - Esse quimiotipo é o mais seguro para o grupo de risco uma vez que produz níveis não muito elevados de THC e níveis elevados de CBD. Vale ressaltar que esse quimiotipo basicamente não produz efeitos psicomiméticos, e, portanto, seu efeito é essencialmente de relaxamento através da ação do CBD em outros mecanismos que não os receptores canabinoides. CBD continua sendo psicoativo uma vez que está afetando a sua mente, mas é ao mesmo tempo ausente dos efeitos psicomiméticos negativos associados ao THC, como ansiedade, medo, paranoia, pânico, despersonalização, dissociação, e etc.

    Ex. 1
    : Quimiotipo THC Dominante (BT/BT) x Quimiotipo CBD Dominante (BD/BD)
    F1 = 100% Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD)

    Ex. 2: Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD) x Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD)
    F1 = 25% Quimiotipo THC Dominante (BT/BT), 25% Quimiotipo CBD Dominante (BD/BD), e 50% Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD)

    Quimiotipos resultantes das sementes de variedades comercializadas:
    (BT/BT X BT/BT) = THC 1:0 CBD; 100% BT/BT; p. ex. Serious Seeds AK-47
    (BT/BT X BD/BD) = THC 1:1 CBD; 100% BT/BD; p. ex. CBD Crew Critical Mass
    (BT/BD X BT/BD) = THC 1:1 CBD; 50% BT/BD, 25% BT/BT, 25% BD/BD; p. ex. Resin Seeds Cannatonic
    (BT/BT X BT/BD) = THC 3:1 CBD; 50% BT/BT, 50% BT/BD; p. ex. ChemDawg Sour Diesel
    (BD/BD X BT/BD) = THC 1:3 CBD; 50% BD/BD, 50% BT/BD; p. ex. CBD Crew Yummy
    (BD/BD X BD/BD) = THC 0:1 CBD; 100% BD/BD; p. ex. CBD Crew Therapy

    Agora, fitocanabinoides correspondem a até 40% do peso do bud seco, portanto, teoricamente 40% (THC + CBD + outros fitocanabinoides e terpenos) é o valor máximo que pode ser encontrado em um bud, 20% herdados do macho e 20% herdados da fêmea.

    Genótipo BT/BT = Quimiotipo THC Dominante
    THCmin/max = 3%-40%

    Genótipo BD/BD = Quimiotipo CBD Dominante
    CBDmin/max = 3%-40%

    Genótipo BT/BD= Quimiotipo THC/CBD Misto
    THCmin/max = 3%-20%, CBDmin/max = 3%-20%

    Quimiotipo é controlado geneticamente.
    THCmax/CBDmax são determinados pelo ambiente.

    Ex. 1: Quimiotipo THC Dominante (BT/BT; THCAfeno = 14%) x Quimiotipo THC Dominante (BT/BT; THCAfeno = 22%)
    F1 = 100% Quimiotipo THC Dominante (BT/BT; THCAfeno = 18%)
    F1a = 15% THC, F1b = 19% THC, F1c = 25% THC (vigor híbrido)

    Ex. 2: Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD; THCA/CBDAfeno = 16%:16%) x Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD; THCA/CBDAfeno = 16%:16%)
    F1 = 25% Quimiotipo THC Dominante (BT/BT; THCAfeno = 32%), 25% Quimiotipo CBD Dominante (BD/BD; CBDAfeno = 32%), e 50% Quimiotipo THC/CBD Misto (BT/BD; THCA/CBDAfeno = 16%:16%)
    F1a = 28% THC e 1% CBD, F1b = 1% THC e 22% CBD, F1c = 9% THC e 16% CBD

    A importação de sementes de Cannabis é considerada crime de contrabando, e os riscos de importação são reais. Consequentemente, sementes oriundas de prensados são frequentemente o que está disponível para o usuário. Sementes de prensado são uma caixinha de surpresa, mas são também a opção mais segura para quem quer aprender a cultivar. No entanto quem quer cultivar para tratar uma doença específica, ou está buscando produzir o seu óleo de CBD a um preço mais acessível, necessita de quimiotipos específicos praticamente impossíveis de serem selecionados de sementes de prensado. Ademais, cultivadores experientes buscam especifidade (fenótipos específicos), e cultivadores inexperientes buscam praticidade (variedades automáticas e feminilizadas).


    9. CANABINOIDES
    Canabinoides são um grupo de substâncias originalmente encontradas na planta Cannabis, mas que se referem a qualquer substância que é especificamente reconhecida pelo sistema endocanabinoide. Existem três tipos de canabinoides: fitocanabinoides; endocanabinoides (encontrados no corpos de humanos e de outros animais), e canabinoides sintéticos. A planta Cannabis e seus derivados consistem de uma enorme variedade de produtos químicos. Até a última atualização desse texto, cerca de 1000 compostos naturais, incluindo mais de 150 fitocanabinoides e 200 terpenos , haviam sido identificados.

    Fitocanabinoides representam um grupo de compostos terpenofenólicos com 21 átomos de carbono ou 22 (para as formas carboxiladas) predominantemente produzidos na Cannabis, mas que também foram reportados em outras plantas. Fitocanabinoides podem ser divididos em 11 subclasses:
    Tipo CBG <> Canabigerol é o precursor biossintético de THC, CBD, e CBC.
    Tipo THC <> Delta-9-tetrahidrocanabinol é um produto da conversão enzimática do precursor CBG.
    Tipo CBD <> Canabidiol é um produto da conversão enzimática do precursor CBG.
    Tipo CBC <> Canabicromeno é um produto da conversão enzimática do precursor CBG.
    Tipo CBN <> Canabinol é um subproduto da oxidação do THC.
    Tipo CBND <> Canabinodiol é um subproduto da oxidação do CBD.
    Tipo CBE <> Canabielsoin é um subproduto da fotooxidação do CBD.
    Tipo CBL <> Canabiciclol é um subproduto da irradiação natural do CBC.
    Tipo CBT <> Canabitriol é um análogo de Delta-9-THC.
    Tipo Delta-8-THC <> Delta-8-tetrahidrocanabinol é um análogo de Delta-9-THC.
    Outros <> Fitocanabinoides com estruturas incomuns que não se encaixam nos outros grupos.

    Os fitocanabinoides predominantes na Cannabis são o ácido tetrahidrocanabinólico (THCA), o ácido canabidiólico (CBDA) e o ácido canabinólico (CBNA), seguidos do ácido canabigerólico (CBGA), ácido canabicromênico (CBCA) e ácido canabinodiólico (CBNDA). Os ácidos fitocanabinoides ocorrem predominantemente na planta viva e são não-enzimaticamente descarboxilados nas suas formas neutras correspondentes com o tempo ou quando aquecidos. Geralmente somente três ou quatro fitocanabinoides são encontrados em concentrações relevantes em cada planta. Biótipos geográficos geralmente possuem um ou mais fitocanabinoides mais raros em quantidades incomuns. Por exemplo, éter monoetílico de canabigerol (CBGM) é especialmente prevalente em populações do nordeste da Ásia, canabidivarin (CBDV) é encontrado sobretudo em populações da Ásia Central, e tetrahidrocanabivarin (THCV) é geralmente encontrado em quantidades significativas em populações da África e Ásia.

    A maioria dos fitocanabinoides produzidos pela Cannabis são agonistas fracos dos receptores CB1 e CB2 por causa da menor afinidade do que o THC para esses receptores. Um agonista fraco não possui um encaixe perfeito com o receptor, e por isso precisa de diversos receptores ligados para produzir um efeito. Assim, esses agentes naturais estimulam receptores sem muito potencial para induzir efeitos psicoativos. Os efeitos psicoativos do THC são o resultado da sua atividade como agonista parcial dos receptores canabinoides CB1, localizados principalmente no sistema nervoso central, e dos receptores CB2, expressos principalmente em células do sistema imunitário. A ativação de receptores acoplados à proteína G CB1 resulta em uma diminuição na concentração do segundo mensageiro AMP cíclico, também conhecido como cAMP, através da inibição da adenilato ciclase. O cAMP é um segundo mensageiro ubíquo que regula uma multiplicidade de respostas celulares que incluem o controle do metabolismo, a transcrição de genes, e a atividade de canais iónicos (canais iónicos dependentes de neurotransmissores são os principais locais moleculares de ação de drogas psicoativas).

    Em muitos casos, essas funções são moduladoras no sentido de que o cAMP muitas vezes age para regular a atividade de outras vias de sinalização e, portanto, tem um papel central a desempenhar na comunicação cruzada entre vias de sinalização. Essa função moduladora é particularmente evidente no caso da sinalização de Ca2+ tanto em células neuronais quanto musculares. Sinalização de Ca2+ é um dos principais sistemas de sinalização em células. Ela funciona para regular muitos processos celulares diferentes ao longo de sua história de vida. Ela aciona uma nova vida no momento da fertilização. Ela controla muitos processos durante o desenvolvimento, e uma vez que as células se diferenciaram, ela rege a atividade da maioria dos processos celulares, determinando efetivamente como nós metabolizamos, secretamos, movemos, e pensamos.

    No cérebro, receptores CB1 são encontrados nos terminais de neurônios centrais e periféricos, onde medeiam principalmente a ação inibitória sobre a liberação contínua de um número de sistemas neurotransmissores excitarórios e inibitórios; incluindo os sistemas dopaminérgico, GABAérgico, glutamatérgico, serotoninérgico, noradrenalinérgico, e acetilcolinérgico. É devido ao envolvimento desses sistemas que receptores CB1 afetam funções como cognição, memória, movimentos motores, e percepção da dor. A liberação de endocannabinoides como AEA e 2-AG, a partir dos locais pós-sinápticos para a fenda sináptica ocorre em resposta a elevação do cálcio intracelular, e eles atuam como neurotransmissores retrógrados sobre receptores CB1 localizados pré-sinapticamente para manter a homeostase e prevenir a atividade neuronal excessiva.

    Ratos de laboratório que não possuem receptores CB1 aparentam ser notavelmente normais, sugerindo um mecanismo compensatório. No entanto, quando a homeostase normal é perdida, como ocorre em doenças, o controle do sistema endocanabinoide é particularmente importante. Essa função fisiológica como um regulador endógeno pró-homeostático que auxilia no restabelecimento da "condição estável" do sistema após desafios patológicos agudos ou crônicos, tal como após estresse celular ou psicológico, é a função mais reconhecida do sistema endocanabinoide. Os papéis homeostáticos salientes do sistema endocanabinoide podem ser retratados aproximadamente como 'relaxar, comer, dormir, esquecer, e proteger'.

    Por ser um agonista parcial dos receptores canabinoides, o THC possui o potencial para hiperestimular neuroreceptores, levando à sua dessensibilização e à regulação decrescente transitória de receptores canabinoides. Dessensibilização descreve a rápida atenuação de sinal em resposta à estimulação de células por agonistas do receptor. As alterações na eficiência de acoplamento dos receptores para sinalizar vias de transdução e a internalização do receptor são responsáveis pela dessensibilização e o desenvolvimento de tolerância farmacodinâmica. Estudos em humanos mostram que a densidade do receptor CB1 retorna aos níveis normais após cerca de um mês de abstinência da Cannabis.

    Do ponto de vista medicinal, o desenvolvimento de tolerância não é necessariamente desvantajoso. Muitos pacientes frustrados com a ineficácia das medicações aceitas pelos estabelecimentos médicos, experimentam Cannabis pela primeira vez e sentem um alívio imediato de seus sintomas persistentes, e com o tempo esses usuários medicinais vem a perceber que eles desenvolvem tolerância aos efeitos colaterais secundários da Cannabis, ao mesmo tempo que desenvolvendo pouca ou nenhuma tolerância ao seus benefícios terapêuticos.

    Qualquer tentativa de resumir os efeitos da Cannabis, ou de qualquer droga psicoativa, é necessariamente uma simplificação visto que o uso de drogas psicodélica envolve experiências subjetivas. Além disso, os efeitos da Cannabis variam de acordo com a experiência do usuário, dosagem, modo de administração, e estado mental no momento do consumo. De qualquer maneira, os efeitos do consumo de Cannabis são bem reconhecidos. Ela induz uma "intoxicação" psicoativa levemente eufórica que leva a uma ligeira diminuição das funções psicomotoras e cognitivas.

    Em alguns casos, dependentes sobretudo da interação com hormônios do estresse, fitocanabinoides podem induzir uma variedade de efeitos psíquicos intensamente desagradáveis, incluindo ansiedade, pânico, paranoia, e sentimentos de morte iminente, e raramente pode levar a uma psicose aguda mais duradoura envolvendo delírios e alucinações (para uma revisão detalhada do assunto leia o tópico Cannabis, ansiedade, depressão, e psicose). Cannabis também pode induzir um aumento significativo na frequência cardíaca e uma redução da pressão arterial devido à vasodilatação, causando o "olho vermelho" clássico, estimulação do apetite (conhecida como "larica"), boca seca, e vertigens. Esses podem ser considerados como efeitos adversos, mas são todos baseados em biologia básica.

    Os efeitos da Cannabis podem ser divididos em:
    Efeitos psicológicos (euforia, bem-estar, disforia, ansiedade, despersonalização, agravamento de estados psicóticos)
    Efeitos na percepção (percepção sensorial intensificada, distorção da percepção de espaço e tempo, distorção da capacidade de compreensão, alucinações)
    Efeitos sedativos (depressão generalizada do sistema nervoso central, sonolência, sono)
    Efeitos na cognição (fragmentação de pensamentos, confusão mental, diminuição da memória, redução global do desempenho cognitivo)
    Efeitos na função motora (aumento da atividade motora seguido por inércia e incoordenação, ataxia, disartria, tremores, fraqueza, espasmos musculares)
    Fluxo sanguíneo cerebral (aumento de forma aguda, diminuiu com a utilização crônica)
    Sistema cardiorrespiratório (taquicardia com dosagem aguda; bradicardia com o uso crônico)
    Débito cardíaco (aumento da produção e demanda de oxigênio do miocárdio)
    Oxigenação (pequenas doses estimulam, doses maiores deprimem)
    Broncodilatação (tosse, mas tolerância se desenvolve)
    Circulação periférica (vasodilatação, vermelhidão da conjuntiva, hipotensão postural)
    Efeitos analgésicos (similares em eficácia à codeína)
    Efeitos antieméticos (com dosagem aguda; efeito revertido com doses maiores ou uso crônico)
    Apetite (aumento de forma aguda, diminuiu com a utilização crônica)
    Tolerância (para a maioria dos efeitos comportamentais e somáticos com o uso crônico)

    THC imita o efeito de endocanabinoides, mas em contraste a essas substâncias, THC não é rapidamente metabolizado no local da operação, e não só funciona em locações específicas, mas ativa simultaneamente todos os receptores canabinoides. Ao invés de simplesmente substituir AEA e 2-AG (canabinoides produzidos naturalmente pelo nosso organismo), a Cannabis e seus muitos componentes funcionam, em parte, como um 'pontapé inicial' no sistema endocanabinoide. CBD, em particular, ganhou atenção precoce a esse respeito. Ao inibir a degradação do endocanabinoide AEA, CBD intensifica e prolonga o efeito do THC. A presença (aumentada) de AEA impede o THC de interagir com receptores canabinoides. CBD é um agonista fraco dos receptores canabinoides, mas é capaz de antagonizar os efeitos do THC até mesmo quando esse está presente em doses baixas. Além disso, doses mais elevadas de CBD podem potenciar doses mais baixas de THC por intermédio do aumento no nível de expressão de receptores CB1. CBD também interage com diversos récem descobertos receptores canabinoides, e é um antagonista para o receptor 5-HT1A (responsável por alguns dos efeitos antipsicóticos e ansiolíticos), entre outros.

    CBD por si só não possui quase nenhum efeito sobre processos fisiológicos normais. Só quando um estímulo (tais como dor ou uma reação de choque) ou outro canabinoide (como THC) perturba a tonalidade normal do sistema endocanabinoide é que o efeito do CBD é expresso. A Cannabis é considerada um medicamento sinérgico que possui compostos primários farmaceuticamente ativos, juntamente com muitos outros compostos secundários que tanto aumentam os efeitos de um composto farmacêutico primário como mitigam os seus efeitos adversos. A maioria dos fitocanabinoides auxiliares possui um perfil farmacológico relativamente semelhantes entre si em relação às suas atividades independentes de receptores canabinoides: Eles modulam a atividade dos canais de receptores de potencial transitório, transportadores de nucleosídeo equilibrativo, e de proteínas que facilitam a inativação endocannabinoide.


    10. TERPENOS
    Terpenos são uma grande e diversificada classe de compostos orgânicos de origem vegetal, e são essenciais na formação dos sabores e aromas da Cannabis, assim como contribuem para seus diferentes efeitos. Mais de 200 terpenos são encontrados na Cannabis (na espécie como um todo), alguns em menor e outros em maior quantidade. Terpenos desempenham um papel fundamental no reino vegetal em aspectos como defesa da planta e estresses ambientais, assim como matéria-prima química de moléculas mais complexas, como fitocanabinoides. Muitos terpenos vegetais agem sinergicamente com outros terpenos e alguns servem tanto para catalisar quanto para inibir a formação de outros compostos

    Fitocanabinoides e outros terpenos compartilham suas vias biossintéticas e os espaços onde se acumulam. Eles são biossintetizado nos tricomas glandulares de folhas e flores, e se acumulam em grandes proporções na resina exalada. Tricomas capitados sésseis (abundantes na superfície das folhas) são mais especializados em sintetizar sesquiterpenos (mais amargos), atuando contra animais herbívoros, enquanto tricomas capitados pedunculados (abundantes nas flores) são especializados na síntese de monoterpenos, ajudando a repelir insetos. Monoterpenos (limoneno, mirceno, pineno) geralmente predominam na planta, mas após o processo de secagem e cura tradicional (1 semana de secagem + 3 meses de cura) há uma perda de mais de 50% nos monoterpenos, e consequentemente um aumento na proporção relativa de sesquiterpenos (especialmente cariofileno), como também frequentemente ocorre em extratos.

    A proporção de terpenos na planta é normalmente inferior a 1%, mas pode atingir até 10% da composição dos tricomas. Assim como observado para fitocanabinoides, a produção de terpenos aumenta com exposição à luz, mas diminui com a fertilidade do solo, corroborando técnicas favorecendo o crescimento floral sobre o crescimento foliar, como as utilizadas na produção da La Mona Amarilla colombiana. A viscosidade das glândulas secretoras é devido às secreções de terpenos sobre a superfície exterior das glândulas. Em ambientes com muito vento, secos ou frios, secreções tendem a volatilizar mais rapidamente, diminuindo a viscosidade; em contraste, em ambientes quentes e sem muito vento (seja ao ar livre ou sob a intensa luz do grow) secreções parecem acumular mais facilmente, e a superfície da glândula pode tornar-se muito pegajosa.

    Terpenos são farmacologicamente versátil: eles são lipofílicos, interagem com as membranas celulares, canais de íons neuronais e musculares, receptores de neurotransmissores (inclusive receptores canabinoides), receptores olfativos, sistemas de segundos mensageiros, e enzimas. Há muitos relatos indicando que terpenos são agentes realçadores do transporte/absorção de outros compostos. Um mecanismo de importância particular é o seu efeito na permeabilidade das membranas celulares, especialmente da barreira sangue-cérebro, aumentando o transporte de fitocanabinoides para o cérebro. Terpenos possuem atividade analgésica, anestésica, ansiolítica, anti-alérgica, anti-catabólica, anti-hipertensiva, anti-inflamatória, anti-úlcera, anticancer, anticonvulsivante, antidepressiva, antifúngica, antihiperglicêmica, antihipernociceptiva, antinociceptiva, antiparasitária, antimicrobial, antioxidante, antipsicótica, antiviral, broncodilatadora, estimulante, imunomoduladora, relaxante muscular, sedativa, e vasorelaxante.

    THC puro é unidimensional, mas em conjunto com pequenas quantidade de outros fitocanabinoides, terpenos, e outros compostos, cada variedade ganha sua própria personalidade visto que eles modulam os efeitos psicoativos e fisiológicos da Cannabis, afetando o humor, sensibilidade e percepção dos sentidos, assim como percepções corporais, tais como equilíbrio e dor. Segue um breve resumo de 9 dos terpenos (6 monoterpenos e 3 sesquiterpenos) mais comuns nas variedades de Cannabis cultivadas, e consequentemente parcialmente responsáveis pelas variações fenotípicas e biológicas de variedades de Cannabis.

    Mirceno é o monoterpeno mais prevalente na maioria das variedades de Cannabis. Na indústria, óleos essenciais que contêm mirceno são usados como intermediários na produção de álcoois de terpenos (geraniol, nerol, e linalol), que, por sua vez, servem como intermediários na produção de produtos cosméticos, sabões e detergentes, e como um aditivo aromatizante em alimentos e bebidas. Por ser o terpeno sedativo mais proeminente na Cannabis, é a sua quantidade que geralmente define se uma variedade terá os efeitos sedativos comumente associados ao biótipo indica (embora seja um monoterpeno bastante comum em ambos biótipos). Possui um odor herbáceo amadeirado, balsâmico, e picante, com nuances de aipo, e um sabor frutoso cítrico adocicado e ligeiramente mentolado, com tons de manga tropical. Está associado a um efeito ansiolítico, analgésico, e sedativo.

    Limoneno é um dos monoterpenos mais comuns na natureza. É um dos principais constituintes em vários óleos de citrinos (p. ex. laranja, limão) e, devido ao seu sabor cítrico, é amplamente utilizado como um agente aromatizante em perfumes, cremes, sabões, produtos de limpeza doméstica e, em alguns produtos alimentares, tais como bebidas de frutas e sorvetes. Limoneno é precursor de diversos outros monoterpenos através de esquemas sintéticos específicos da espécie. Possui um odor e sabor cítrico doce. Limoneno contribui para uma brisa cerebral e eufórica por ser o potenciador mais eficaz entre os terpenos presentes na Cannabis, com 70% de captação pulmonar. Embora esteja associado ao efeito de sativas, limoneno é bastante comum em ambos biótipos.

    Pineno
    é um monoterpeno encontrado na natureza em dois isômeros estruturais: alfa-pineno e beta-pineno, sendo alfa-pineno mais abundando nas variedades de Cannabis. Alfa-pineno é o terpeno mais amplamente encontrado na natureza, e é altamente repelente a insetos. Pineno tem aplicações industriais em fragrâncias, agentes aromatizantes, produtos farmacêuticos, e biocombustíveis. Possui um odor lenhoso de terebintina que remete a pinheiros, com tons de alecrim, e nuances herbais, sendo o principal responsável pelo odor pungente das variedades Diesel (tióis, e não terpenos, são provavelmente os compostos responsáveis pelo mau cheiro das variedades Skunk). Possui um sabor lenhoso de pinho, com tons de cânfora, e nuances herbais picantes e ligeiramente tropicais. Está associado a um efeito que estimula o estado de alerta e a retenção da memória.

    Terpinoleno
    é um monoterpeno encontrado especialmente em algumas ervas Labiatae (família das hortelãs). Terpinoleno é um componente de grande volume em muitos produtos de limpeza, sendo usado em formulações de sabões, detergentes, cremes, loções, e perfumes. Está associado principalmente com plantas de biótipo sativa (Cannabis sativa ssp. indica biótipo sativa). Possui um odor de pinho cítrico e doce, com nuances de limão, e um sabor de limão amadeirado, com nuances herbais e florais. Apesar de sua propriedade sedativa, está associado a uma brisa calmante, límpida, e serena.

    Linalol
    é um monoterpeno comumente encontrados como um componente importante dos óleos essenciais de várias espécies de plantas aromáticas (p. ex. lavanda, magnólia, coentro). Linalol também está presente em muitas frutas comestíveis, como goiaba, pêssego, ameixa, abacaxi, e maracujá, e também no tomate. É utilizado em cosméticos, perfumes, e agentes aromatizantes. Linalol é crucial para a produção de vitamina E no organismo, o que faz com que seja um terpeno muito importante para a saúde. Possui odor e sabor floral cítrico e ceroso, com tons picantes. Linalol está associado principalmente com plantas de biótipo indica (Cannabis sativa ssp. indica biótipo indica), e possui efeitos sedativos, ansiolíticos, e calmantes.

    Ocimeno
    é um dos monoterpenos mais comuns na natureza, sendo encontrado em uma variedade de frutas e plantas, como manga, maçã, pepino, salsa, hortelã, e manjericão. Alfa-ocimeno e as duas formas estereoisoméricas de beta-ocimeno, cis e trans, diferem na posição da ligação dupla isolada. Ocimenos são emitidos a partir das folhas em resposta ao dano por herbívoros ou ferimento mecânico, e servem como um sinal químico para a atração de parasitoides e predadores de herbívoros de plantas, e como um atrativo para insetos polinizadores. Ocimeno também funciona como um feromônio envolvido na regulação social em colônias de abelhas. Ocimeno é usado como um material de partida para a fabricação de um número de produtos químicos de perfumes, bem como um agente aromatizante em alimentos. Possui um odor e sabor cítrico lenhoso e tropical, com nuances vegetais. Sua contribuição para a brisa é desconhecida ou inexistente.

    Cariofileno
    é um dos sesquiterpenos mais comuns no reino vegetal, ocorrendo em mais de 50% das famílias angiospermas (plantas de floração). É geralmente o sesquiterpeno mais comumente encontrado na Cannabis, e é frequentemente o terpeno predominante nos extratos de Cannabis, particularmente se eles foram processados sob calor para descarboxilação. Cariofileno serve como uma defesa contra agente patogênicos que invadem tecidos florais e, assim como outros voláteis florais, desempenha múltiplos papéis na defesa da planta e atração de polinizadores. Várias atividades biológicas são atribuídas ao cariofileno, incluindo atividade neuroprotetora. É também um ligante não funcional do receptor CB2, e considerado um fitocanabinoide dietético. É popularmente usado em alimentos, cosméticos, e fragrâncias como um agente conservante, aditivo, e aromatizante. Possui um odor lenhoso picante, e um sabor lenhoso picante, com tons de cânfora, e nuances cítricos. Sua contribuição para a brisa é desconhecida ou inexistente.

    Humuleno
    é um sesquiterpeno encontrado em um número cada vez maior de plantas aromáticas em todos os continentes, mas que foi encontrado primeiramente nos óleos essenciais do lúpulo (Humulus lupulus), do qual deriva o seu nome. Humuleno é um isômero de beta-cariofileno, e os dois são frequentemente encontrados em conjunto em várias plantas aromáticas, e muitas vezes também na Cannabis. Humuleno e seus produtos de reação no processo de fermentação da cerveja dá a muitas cervejas seu aroma de lúpulo. Possui um odor de lúpulo amadeirado e ligeiramente amargo, com tons picantes. É um dos principais terpenos que dá o aroma característico da Cannabis. Sua contribuição para a brisa é desconhecida ou inexistente.

    Nerolidol
    é um sesquiterpeno natural presente em várias plantas medicinais de odor floral, como gengibre, jasmim, lavanda, e erva-cidreira. Na indústria, nerolidol é amplamente utilizado em cosméticos e produtos de limpeza, e como um agente aromatizante em alimentos. Por ser um potente intensificador da absorção através da pele, variedades ricas em nerolidol são uma boa opção para preparações tópicas de Cannabis. Possui um odor floral amadeirado, com tons cítricos, e um sabor floral amadeirado, com tons de melão cítrico. Nerolidol possui efeitos sedativos, ansiolíticos, e calmantes.

    Ed Rosenthal, um horticulturista e autor, sugere que o consumo de manga cerca de 30 minutos antes do consumo de Cannabis cria uma brisa mais rápida e potente. Embora não seja propriamente um mito, existem muitas variáveis envolvidas influenciando o possível mérito dessa ação. Para começar, nem toda variedade de manga é rica em mirceno. Altas concentrações de mirceno são uma característica única de cultivares do Velho Mundo (Europa, África, e Ásia). Segundo, mirceno está associado com uma brisa sedativa, e a maioria dos usuários de Cannabis não busca aquela brisa onde você está tão sedado que você "não consegue se mexer". Terceiro, a quantidade de manga necessária para provocar efeitos notáveis é geralmente cerca de 500 gramas de uma manga de um cultivar rico em mirceno. Quarto, existem outros terpenos na manga, alguns inclusive em quantidades geralmente superiores ao mirceno, como é o caso do limoneno, careno, terpinoleno, e felandreno, que também sinergizam com os fitocanabinoides e influenciam os efeitos da brisa.


    11. POTÊNCIA
    Os produtos químicos psicoativos da Cannabis são produzidos em pequenas glândulas epidérmicas secretoras especializadas. Essas são denominadas "tricomas" ou "pêlos" (o primeiro termo é frequentemente restrito a plantas e o segundo a animais). Tricomas são particularmente abundantes nas inflorescências da planta, presentes em menor número nas folhas, pecíolos, e caules, e ausente nas raízes e sementes.

    A planta fêmea produz 5 formas de tricomas: 1. Tricomas unicelulares simples (não glandular), que possuem a função de reduzir a perda de água e fornecer um pouco de isolamento contra temperaturas extremas. 2. Tricomas cistolíticos (não glandular), que reduzem a palatabilidade da folhagem aos predadores. 3. Tricomas bulbosos, que servem para alertar a planta da movimentação de insetos na sua superfície. 4. Tricomas capitados sésseis, que oferecem proteção ao tecido da planta contra predadores. 5. Tricomas capitados pedunculados, abundantes no cálice, bráctea, bractéola e pecíolo da planta fêmea, formam uma densa pubescência que haje como barreira física para pequenos insetos fitófagos, e também providenciam um pouco de proteção contra ventos frios dessecantes. Ao refletir a luz infra-vermelha, uma pubescência densa de tricomas tem também propriedades de resfriamento e, sendo igualmente eficaz em todo o espectro de luz, reflete também a luz ultra-violeta.

    Em tricomas glandulares de plantas fêmeas, a parte essencial da glândula é uma cabeça mais ou menos hemisférica, por vezes comparada ao tamanho da cabeça de um alfinete. Dentro da cabeça, em sua base, há "células de disco" secretoras especializadas, e acima dessas, há uma cavidade onde a resina secretada é acumulada, ampliando a bainha de cobertura (uma cutícula de cera) da cabeça em uma bolha esférica. A resina é uma mistura pegajosa de uma variedade de fitocanabinoides e terpenos produzida especialmente nos tricomas capitados pedunculados, mas também em níveis menores, cerca de 20 vezes, nos tricomas capitados sésseis (que são geralmente muito menores do que tricomas capitados pedunculados). Tricomas bulbosos são os menores, e ainda não existe evidência direta da presença de fitocanabinoides nesses tricomas. A capacidade da planta para biossintetizar fitocanabinoides está provavelmente ligada a quantidade de energia disponível.

    O teor de fitocanabinoides difere em diferentes partes da planta, aumentando na seguinte ordem: caules grandes, caules menores, folhas mais velhas e maiores, folhas mais novas e menores, flores, brácteas perigonais que cobrem as flores femininas e, consequentemente, os frutos. Quantidade absoluta de fitocanabinoides produzidos por uma planta individual depende de traços de crescimento e de desenvolvimento que são provavelmente: 1. Determinados poligênicamente, 2. Não estão relacionados com vias biossintéticas, 3. Estão sujeitos a uma forte modificação ambiental. Plantas são selecionadas por se diferenciar na arquitetura, no perfil fitocanabinoide (biótipos geográficos geralmente possuem um ou mais fitocanabinoides mais raros em quantidades incomuns), no perfil terpenóico (uma variedade de perfis de óleos essenciais foram selecionados), na cor das inflorescências (roxas e brancas são bastante populares), e na concentração e na distribuição das glândulas secretoras (densidades muito grandes das glândulas e glândulas maiores).

    As variedades de Cannabis diferem amplamente no tamanho das glândulas. Um estudo recente (2015) estabeleceu uma correlação entre cabeças da glândulas grandes e níveis elevados de THC. Além de terem sido selecionadas para o tamanho e densidade da glândula, variedades de Cannabis para a produção de drogas também foram selecionadas por inflorescências maiores e mais numerosas, a fim de fornecer mais área de superfície para tricomas glandulares, o que aumenta a potência. Outro traço associado com potência é maturação tardia. A maioria dos connoisseurs vai te dizer que a melhor Cannabis que eles fumaram na vida foi uma sativa equatorial ou subequatorial como Acapulco Gold, Panama Red, Original Haze, ou Malawi Gold.

    As condições exigidas para o catabolismo oxidativo de THC para CBN não são as mesmas que aquelas que causam a coloração âmbar nos tricomas (embora haja uma maior probabilidade de se encontrar CBN em tricomas mais escuros). O que causa essa coloração é desconhecido, mas acredita-se que possa ser devido a entrada de oxigênio na cabeça de resina através do tecido cicatricial quando essa se separa das células epidérmicas no caule dos tricomas, ou, alternativamente, ser causada pelos biprodutos do catabolismo do conteúdo das células secretoras. Mas apesar de não existir ligação direta, a coloração dos tricomas é frequentemente usada como indicativo para a colheita. Isso acontece porque existe uma tendência fraca, mas significativa para a associação de uma potência menor com tricomas de cores mais escuras.

    Embora a perda de transparência seja uma característica genotipicamente-dependente, as glândulas dos tricomas geralmente começam com a cabeça transparente ou levemente âmbar, passam a ficar turvas e opacas conforme amadurecem, e durante a senescência vão ficando marrons, com esse processo de escurecimento continuando durante a colheita, secagem, e cura. Quando a planta atinge sua maturidade e a criação de novas flores cessa, o perfil fitocanabinoide e o perfil terpenóico passam a ser estáveis, e se mantém assim por algumas semanas, criando uma janela relativamente grande para a colheita. Colher muito cedo (enquanto a maioria dos tricomas capitados pedunculados ainda estão transparentes) irá maximizar a proporção de THC na matéria vegetal. No entanto, recomenda-se esperar que a planta amadureça mais, e desenvolva outros compostos que vão modular e balancear os efeitos do THC, tornando a brisa mais agradável. Mas isso só funciona na teoria visto que a maioria dos cultivadores, seja por impaciência, preferência, ou por um melhor retorno financeiro, costuma realizar suas colheitas relativamente cedo.

    A potência da Cannabis é tipicamente julgada de acordo com as concentrações de THC, seu constituinte psicoativo primário. No entanto, a planta Cannabis possui diversos outros químicos, incluindo outros fitocanabinoides e terpenos que contribuem para a potência por intermédio da moderação dos efeitos do THC. Por exemplo, é de conhecimento comum a capacidade do CBD de atenuar ou bloquear os efeitos do THC através de uma gama de domínios, mais notavelmente seus efeitos psicoativos negativos.

    Extratos, como haxixe ou óleo de Cannabis apenas condensam uma maior quantidade de fitocanabinoides em uma menor superfície. Não é a potência da Cannabis que vem aumentando ao longo dos anos, mas sim o conhecimento das técnicas e cuidados apropriados na reprodução e no cultivo da Cannabis, e na produção de seus extratos que vem sendo aperfeiçoados. Além disso, novas tecnologias foram criadas para recolher e concentrar as cabeças dos tricomas glandulares ricas em THC, permitindo a criação de novas formas mais potentes de concentrados.

    A potência de uma amostra testada em laboratório é expressa em percentagem, de modo que 1% seja equivalente a 10 miligramas de um determinado fitocanabinoide por grama de material vegetal. Uma vez que o teor máximo de THC, CBD, outros fitocanabinoides e terpenos pode, e geralmente é, altamente variável para a mesma variedade, e até mesmo para diferentes buds de uma mesma planta, os seedbanks acabam testando várias amostras no intuito de escolher aquela que melhor exiba o potencial genético da variedade. Na literatura científica, uma concentração de THC de 0.9% é sugerida como um nível mínimo prático para atingir um efeito "inebriante", e concentrações de 0.3% a 0.9% são consideradas como possuindo "um potência de droga pequeno".

    Agora, se você fumar 1 grama (aproximadamente 1 baseado) de uma variedade com 1% de THC, você estará consumindo cerca de 5 miligramas de THC (e cerca de 5 miligramas se perdem durante a transferência do material vegetal para a fumaça). Só que dessas 5 miligramas, você perde novamente cerca 50% ao exalar a fumaça inalada. Ultimamente cerca de 25% (2.5mg) das 10 miligramas de THC presentes no baseado de 1 grama entram na circulação sistêmica, e somente cerca de 2.5 microgramas (1%) dessas 2.5 miligramas de THC que entraram na circulação penetram no cérebro. Alternativamente, 75 microgramas de THC em um baseado com 30% THC penetram o cérebro.

    Muito se ouve sobre o aumento da potência da Cannabis e o potencial prejudicial de altas concentrações de THC na saúde mental. Embora THC possua de fato o potencial para provocar efeitos colaterais indesejados como, por exemplo, ataques de pânico ou psicoses transitórias, isso está relacionado muito mais com a interação dos fitocanabinoides da Cannabis com hormônios do estresse e com endocanabinoides produzidos pela pessoa, do que com a potência da Cannabis. (para uma revisão detalhada do assunto leia o tópico Cannabis, ansiedade, depressão, e psicose).

    Além do mais, a dose está inversamente relacionada com a experiência do usuário; assim, a pessoa mais vulnerável é o usuário inexperiente que, inadvertidamente (muitas vezes, precisamente porque o usuário inexperiente não tem familiaridade com a droga), toma uma dose grande que produz mudanças perceptivas e somáticas para as quais o usuário está despreparado. Isso é facilmente comprovado visitando os subfóruns relacionados à saúde, onde embora existam alguns relatos de usuários experientes que surtaram ou tiveram um colapso mental ao utilizarem a Cannabis em um momento de grande fragilidade emocional, a maioria dos relatos são de usuários novatos que abusaram da dose (quase sempre prensados de pouca potência), e que experienciaram majoritariamente ataques de pânico.

    Atualizado pela última vez: 09/2016
    Última edición por shortlived; 19/09/2016 a las 12:08 PM Razón: Versão mais recente

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  7. #4
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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    Mais uma pro acervo...
    mas galera de boa... o lance é nao ficar na teoria e ir ha pratica.
    ja esta na hora do pessoal ai ir desenvolvendo ou perpetuando
    as geneticas ja existentes no minimo.
    o lance alem de plantar é reproduzir....


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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    Cita Iniciado por diaboverde Ver Mensaje
    Mais uma pro acervo...
    mas galera de boa... o lance é nao ficar na teoria e ir ha pratica.
    ja esta na hora do pessoal ai ir desenvolvendo ou perpetuando
    as geneticas ja existentes no minimo.
    o lance alem de plantar é reproduzir....
    é vero diabo , minhas ultimas cruzas deram mais de mil seeds , isso que as branquinhas (imaturas) que tambem saun viaveis foram descartadas !
    Só que aqui foi femea com macho mesmo polinização aberta, inclusive com um macho seu que tu mandou lembra !
    Forte abraço , bom te ver na ativa irmão, visita o diario lá pra tu ver como andam as coisa que faz tempo que tu não apareçe ! !


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  11. #6
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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    Po Jim ta fods de tempo viu,,, mas tamos ai to olhando quando da os diarios dos amigos
    mas nao to postando aushduahsduhasud....

    referente as cruzas meu irmao eh isso ai, testando e germinando que vemos se sai alguma coisa
    que presta...

    o Ideal seria perpetuar as proprias geneticas como por exemplo eu fiz.

    LSD ja possuo f1, f2 e f3 totalmente feminilizadas.
    fora mais 8 geneticas por ai....

    mas nego nao pode esquecer que algumas cruzas ai que sao feitas a esmo
    que acabam saindo otimas cruzas... o lance depois eh firmar a genetica
    se partindo para f2 e f3.... pois muitas vezes as primeiras levas da cruza
    nao sao tao boas quanto as das segundas que saem pois é ai que a genetica
    começa a fazer valer sua força....





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  13. #7
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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    Cita Iniciado por shortlived Ver Mensaje
    1. NOMENCLATURA
    A definição biológica de uma espécie afirma que todos os espécimes de uma população são de uma única espécie se eles são naturalmente capazes de se reproduzir sexualmente, gerando descendentes férteis. Sendo assim a Cannabis é monotípica. Porém, alguns cientistas preferem definir a espécie de acordo com as características morfológicas, tipológicas, ou quimiotaxonômicas.

    Exemplos Taxonômicos
    C. sativa ssp. indica - Subespécie
    C. sativa var. kafiristanica - Variedade
    C. sativa f. Acapulco Gold - Landrace
    C. sativa "Skunk #1" - Cultivada

    2. BIÓTIPO
    As variedades cultivadas não são encontradas na natureza como subespécies reconhecidas. A denominação de sativa e indica pelos breeders geralmente refletem características morfológicas do híbrido. Isso faz com que o biótipo de drogas de folhas finas (c. sativassp. indica biótipo "sativa") seja geralmente confundido com a subespécie sativa (C. sativa ssp. sativa).

    "Sativa" (c. sativassp. indica biótipo "sativa")
    Plantas altas, com formato de árvore de natal ou bambu, não muito ramificadas, de crescimento desengonçado e folhas longas e finas. Seu maior tempo de maturação se deve a uma menor quantidade de clorofila na planta, que por sua vez está diretamente ligada a uma maior quantidade de pigmentos acessoriais que protegem a planta de luz solar excessiva. Sendo então mais adequadas a climas tropicais. Seu efeito tende a ser mais cerebral, energizante, agindo basicamente como um potenciador de humores.

    "Indica" (c. sativassp. indica biótipo "indica")
    Plantas de altura média, formato cônico, densamente ramificadas, com folhas curtas e largas. São mais adequadas ao cultivo em climas temperados. Atingem a maturidade em menos tempo e possuem um rendimento maior do que o biótipo "sativa". Seu efeito tende a ser mais corporal, de relaxamento.

    3. HÍBRIDOS
    São cruzamentos de duas plantas sem parentesco direto. Essas plantas recém criadas são chamadas de F1. Se essa F1 é retrocruzada com a mãe, então sua prole será F2. F2 pode ser também o cruzamento entre irmãos e irmãs F1. Mas normalmente F6 implica o retrocruzamento da strain por 6 gerações afim de reforçar as propriedades e características da planta mãe. A cada geração a taxa de heterozigose diminui em 50%. Quando os indivíduos de uma strain em particular passam a ser quase quase idênticos uns aos outros em genótipo devido a endogamia a longo prazo, a strain passa a ser considerada de linhagem pura (inbred line; IBL). No entanto, apesar dessas strains serem consideradas estáveis, nem mesmo uma F20 é de fato estável. Essas variações se devem aos fenótipos da planta.

    Apesar de não existir diferença quanto a designação da geração filial (F1, F2...) entre diferentes métodos de reprodução, breeders geralmente utilizam diferentes acrônimos para manter o controle das gerações. S1, S2... (autopolinização). BXI, BXII... (retrocruzamento).

    Genótipo - É o que está nos genes. Traços recessivos podem esconder-se por trás de traços dominantes e aparecer em gerações futuras.
    Fenótipo - Genótipo + Ambiente = Fenótipo
    Quimiotipo - É a constituição química da planta.

    Devido a escassez de CBD na maioria das strains comercializadas, muita gente acredita que THC é dominante e CBD recessivo. No entanto, o fato de que é possível a expressão de quimiotipos THC/CBD misto reflete uma codominância entre THC e CBD.

    Ex. 1: Quimiotipo THC Dominante (PP) X Quimiotipo CBD Dominante (pp)
    F1 = 100% Quimiotipo THC/CBD Misto (Pp)

    Ex. 2: Quimiotipo THC/CBD Misto (Pp) X Quimiotipo THC/CBD Misto (Pp)
    F1 = 25% Quimiotipo THC Dominante (PP), 25% Quimiotipo CBD Dominante (pp), e 50% Quimiotipo THC/CBD Misto (Pp)

    Agora, fitocanabinoides correspondem no máximo a um terço da resina, portanto, teoricamente 33% THC/CBD/CBG/CBC é o valor máximo que pode ser encontrado em um bud. 16.5% herdados do macho e 16.5% herdados da fêmea.

    Genótipo PP = > 0.3% a 33% THC : < 2% CBD
    Fenótipo PP = Quimiotipo THC Dominante

    Genótipo pp = > 0.3% a 33% CBD : < 2% THC
    Fenótipo pp = Quimiotipo CBD Dominante

    Genótipo Pp = > 0.3% a 16.5% THC : > 0.3% a 16.5% CBD
    Fenótipo Pp = Quimiotipo THC/CBD Misto

    O genótipo reflete o potencial genético. No entanto, o genótipo é influenciado por fatores internos e externos em seu ambiente que podem limitar o seu potencial (p. ex maturidade, comprimento do dia, temperatura ambiente, humidade, disponibilidade de nutrientes, intensidade de luz ultravioleta). Quimiotipos THC dominante são predominantes em países localizados entre os trópicos e a linha do equador, enquanto quimiotipos THC/CBD misto e CBD dominante são predominantes em países localizados entre os trópicos e os círculos polares.

    Apesar do quimiotipo estar associado principalmente a origem geográfica, isso não limita a presença de diferentes quimiotipos em biótipos "sativa" e "indica" uma vez que o perfil fitocanabinoide está protegido pelo controle genético. Plantas pertencentes à mesma população muitas vezes mostram perfis fitocanabinoide distintos. THC e CBD são os principais fitocanabinoides em quimiotipos cultivados para a produção de drogas, enquanto CBD e CBG são os principais fitocanabinoides em quimiotipos cultivados para a produção de fibras (cânhamo).

    Vigor Híbrido (heterose)
    Quando um híbrido é visto como superior aos seus pais, ele é chamado de vigor híbrido. Contudo, isso só acontece com o cruzamento de duas diferentes plantas estáveis (homozigotos; IBL) e só se aplica para a primeira geração de sementes (F1).

    Autoflowering
    São strains que possuem o gene de floração automática na sua composição genética.

    4. LANDRACE
    São genéticas que crescem de sementes que não foram sistematicamente selecionadas para comercialização ou desenvolvida por reprodutores de sementes e que se adaptou naturalmente as condições e ao local de onde se origina. São compostas de uma mistura heterogênea de genótipos, com características suficiente em comum para permitir o seu reconhecimento como um grupo. Com o tempo, a falta da manutenção de uma strain conforme os princípios da seleção de conservação "evolui" a mesma em uma landrace.

    Segue um breve resumo das principais landraces utilizadas na criação das genéticas comercializadas hoje em dia.

    Colombian
    Era dividida basicamente em duas linhagens, uma das áreas húmidas de baixa altitude das zonas costeiras ao longo do Atlântico, de efeito narcótico e sedativo e outra das áreas montanhosas mais áridas do interior de Santa Marta, de efeito cerebral. Mais recentemente, novas áreas de cultivo no interior do planalto centro-sul e nas terras altas dos vales que se estendem ao sul da costa Atlântica tornaram-se as principais áreas comerciais de exportação do cultivo de Cannabis na região. A produção da La Mona Amarilla é alcançada por anelamento ou retirada de uma tira de casca do caule principal de uma planta quase madura, restringindo o fluxo de água, nutrientes e produtos vegetais. Durante vários dias as folhas secam e caem enquanto as flores morrem lentamente e se tornam amarelas. As práticas e técnicas agrículas inadequadas, combinadas com um processo pobre de secagem, cura e armazenamento, tornaram as características buscadas nas landraces Colombian desfavoráveis, e grande parte acabou erradicada, o que tornou as antigas sementes de genéticas Colombian altamente valorizadas pelos breeders.

    Mexican
    Principal exportador de Cannabis para os EUA, as landraces mexicanas eram geralmente nomeadas de acordo com a região onde eram cultivadas (Guerrero, Michoacán, Oaxacan, Tijuana, Zacatecas...), e caracterizadas por um efeito cerebral psicoativo. Os esforços do governo mexicano em erradicar a Cannabis através da pulverização aérea de herbicida, juntamente com a introdução de landracesThai e Afghani aos cultivos mexicanos, tornaram essas genéticas dificilmente encontradas atualmente.

    Thai
    Baseada em uma indústria de artesanato canábico, onde os moradores das áreas montanhosas do norte da Tailândia cultivam sua própria Cannabis, as landracesThai sempre foram consideradas entre as melhores do mundo. O orgulho de um agricultor em sua colheita se refletia na alta qualidade do produto de efeito bastante psicoativo, sem semente, e embalado cuidadosamente em cada vara, conhecida como Thai Stick. As landracesThai são sujeitas ao hermafroditismo, embora não se saiba se isso é uma reação ao clima temperado extremo do norte país ou se existe uma tendência genética. Com a popularização da landrace Thai nos E.U.A, o cultivo na região se tornou um grande negócio, e se expandiu para as planícies do leste em grandes plantações. Strains de outros locais foram introduzidas, hibridizando com as espécies nativas, alterando boa parte das genéticas locais.

    Indian
    Ganja vem sendo cultivado na índia por centenas de anos. São linhagens cultivadas sem sementes, secas, curadas e fumadas. São plantas bastante resinadas e de efeitos psicoativos. O que as torna de interesse considerável aos breeders são os anos de cruzamento seletivo. A Cannabis medicinal do final do século XIX, começo do século passado, era o ganja indiano.

    Afghani
    Nenhuma outra linhagem genética foi utilizada tanto na criação de novos híbridos quanto as genéticas afegãs. Todo esse amor dos breeders se deve ao fato dessas landraces serem as candidatas ideais para a criação de novos híbridos, uma vez que as características de baixa estatura, maturação precoce e alta produção de resina são traços dominantes nas genéticas da região.

    Paraguayan (Menção Honrosa)
    Produtor de mais de metade da Cannabis produzida na América do Sul e principal fornecedor do mercado brasileiro, o Paraguai, devido a sua fraquíssima economia, viu sua agricultura campestre ser assumida por grandes agronegócios estrangeiros focados na produção de drogas, contrabando e lavagem de dinheiro. Antes conhecida por uma Cannabis de qualidade, o Paraguai passou a ser conhecido por produzir uma das maconhas de pior qualidade do mundo devido as técnicas e práticas agrícolas adotadas com o objetivo de obter mais dinheiro, como, por exemplo, prensar a maconha enquanto ela ainda não está seca para aumentar seu peso.

    5. A GENÉTICA POR DETRÁS DOS NOMES COMERCIAIS
    História é sempre refutável, principalmente quando falamos de genéticas, onde o conflito de egos é constante. Além das teorias de conspiração que levam até o leitor mais cético a ficar com uma pulga atrás da orelha. Essa é apenas a minha interpretação resumida dos acontecimentos.

    Skunk
    O primeiro Skunk (Colombian Gold x Afghani) era instável e foi cultivado por Sam The Skunkman no final da década de 1960. Um clone dessa planta foi adotado como projeto de estabilização da linhagem por um pequeno grupo de cultivadores, conhecidos como Sacred Seeds, resultando no que ficou conhecido como Skunk #1 (Colombian Gold x AcapulcoGold/Afghani). Mas o Skunk #1 só atingiu status de strain lendária quando Sam levou a genética para a Holanda, e a vendeu a Neville Schoenmakers, que a lançou no comércio. Mesma época que se inicia um debate sobre o verdadeiro Skunk #1, que aconteceu devido ao primeiro lote vir com predominância do fenótipo Road Kill Skunk, batizado de Skunk #2 por Sam. A criação de sementes posteriores foi concebida em torno de um esforço para suavizar o sabor e o aroma e resgatar as características do fenótipo Sweet Skunk (Skunk #1). Seu nome vem de seu odor pungente, e para poder ser considerado Skunk é preciso ter descendência dessa genética, mais não necessariamente características marcantes como o odor. No Brasil, é mais usado como um termo para diferenciar qualquer fumo de qualidade superior.

    Haze
    Em 1969, G., um surfista local de Santa Cruz na Califórnia, resolveu plantar Cannabis pra conseguir ter seu fumo de graça e de quebra fazer um trocado rápido. G. plantou algumas sementes de Punto Rojo (landrace colombiana), que foram polinizadas dando origem a 4 fenos: Magenta (Purple Haze), Blue, Silver e Gold. G., em parceria com um amigo, plantou esses fenótipos por algumas temporadas, selecionando sempre os melhores exemplares para a produção das sementes do cultivo seguinte. O nome Original Haze é uma homenagem a música Purple Haze do Jimi Hendrix. Durante a década de 1970, três irmãos, dois dos quais cursavam faculdade em Santa Cruz, começaram a movimentar grandes quantidades de Original Haze para a região leste americana. A criação do Original Haze é muitas vezes erroneamente atribuída a eles, os Haze Brothers, como seu auto-denominavam. Em 1984, Sam The Skunkman, que morava no mesmo quarteirão que G., se mudou para a Holanda, levando com ele as genéticas Haze. Sam vendeu essas sementes para alguns breeders, perpetuando e preservando a genética. Para poder ser considerado Haze, uma strain precisa ser o resultado da polinização de uma planta fêmea qualquer por uma planta macho de Original Haze.

    G-13
    É a genética que acumulou a maior quantidade de mitos urbanos. A história mais propagada é de que era cultivada nos anos 1970 pelo governo dos E.U.A e usada em pesquisas e estudos na universidade do Mississipi, sendo 23 plantas de semente Afghani, rotuladas de G1 a G23, sendo a G13 muito superior as outras. No entanto, é mais provável que NevilleSchoenmakers tenha conseguido seu clone de G13 através de Sandy Weinstein, um dos supostos membros fundadores do coletivo Sacred Seed, que havia trabalhado com 23 plantas de landrace Afghani que ele batizou de G1 a G23. Diz a lenda, que logo após a morte de SandyWeinstein em 1987, todos os clones adquiridos por Neville também definharam.

    Northern Lights
    Foi supostamente cultivada por um homem conhecido como The Indian em uma ilha perto de Seattle. Aparentemente eram 11 plantas de landrace Afghani denominadas de NorthernLights #1 até Northern Lights #11. Foi adquirida por Neville em 1985 através de Robert Clarke, sendo essas sementes de 5 linhagens da Northern Lights (#1, #2, #5 e 2 machos), que Neville Schoenmakers utilizou para hibridações e endocruzamentos. Essas plantas vieram a dar origem a uma enorme quantidade de híbridos, por serem uma das genéticas mais resinadas conhecidas na época.

    Cheese
    Originaria de um fenótipo fêmea de um pacote de Skunk #1, o fenótipo Cheese tem sido passado adiante desde o final da década de 1980 por uma rede clandestina de produtores no Reino Unido. Seu lançamento no comércio se deu pelas mãos de Big Buddha, que cruzou um clone do fenótipo com uma planta Afghani, preservando parte do sabor e aroma forte de queijo e o efeito estimulante do Cheese original. Para poder ser considerado Cheese, é preciso ter descendência do fenótipo Cheese.

    Diesel
    Novamente mais de uma versão com similaridades, dependendo de quem conta a história. A mais aceita é que nasceu de uma semente de ChemDawg. Clones dessa planta foram distribuidos entre amigos, híbridos criados e lendas nasceram. Sendo as 3 mais famosas Original Diesel (Diesel #1, Headband, Daywrecker Diesel, Underdawg), Sour Diesel e OG Kush. Seu nome é originário do aroma e sabor da genética e para poder ser considerada Diesel, é preciso ter descendência dessa genética, ou possuir um perfil terpenoico similar.

    White
    White Widow (Brazilian Sativa x South Indian Indica) foi a primeira genética white. Foi desenvolvida por Shantibaba e lançada no comércio em 1994 enquanto coproprietário da Greenhouse Seeds, juntamente com Arjan Roskam. Após o relacionamento entre os dois deteriorar, Shantibaba vendeu sua parte da Greenhouse Seeds Co. em 1998 para o sócio, e com ajuda de Howard Marks e Neville Schoenmakers fundou o Mr. Nice Seeds. Para se diferenciar dos concorrentes que também passaram a vender white strains, e especialmente do seu ex-sócio, Shantibaba renomeou as variedades que ele criou, sendo a White Widow renomeada para Black Widow. Seu nome original vem da grande quantidade de tricomas ao final da floração, o que a faz parecer esbranquiçada embaixo da luz. Para poder ser considerada White, é preciso ter descendência genética da Black Widow e/ou aparentar esbranquiçada embaixo da luz. Outra linha de pensamento atribui a criação das genéticas white a Ingemar, proprietário do seedbankDe Sjamaan.

    Cannatonic
    Com o desenvolvimento da Indústria Canábica nos EUA, os dispensários passaram a utilizar os níveis de canabinoides para indicar a potência das strains comercializadas. Essa prática acabou revelando que a presença de CBD era extremamente rara entre as strains analisadas. Isso provocou o desenvolvimento de um programa colaborativo entre pesquisadores, médicos, laboratórios, fornecedores e consumidores que demonstrou que apenas 1 em 750 amostras analisadas continham níveis significativos de CBD, com uma percentagem ainda menor rica em CBD. Posteriormente, esse programa colaborativo veio a dar origem ao Projeto CBD, um serviço educacional sem fins lucrativos dedicado a promover e divulgar a investigação sobre a utilidade médica do CBD e de outros componentes da Cannabis. A Cannatonic ganhou notoriedade por ter sido a a primeira strain testada a apresentar níveis equivalente de THC e CBD, e com o aumento da notoriedade do CBD o consumidor passou a buscar strains com níveis elevados de CBD, provocando assim a popularização da Cannatonic.

    Lowryder (Menção Honrosa)

    Lowryder foi a primeira strain de floração automática disponível comercialmente, revolucionando o mercado e atraindo consumidores em busca de maior praticidade. No entanto, connoisseurs consideram strains de floração automática inferiores em qualidade quando comparadas a strains regulares, especialmente em relação a redução na potência e rendimento.

    Kush
    Refere-se a um subconjunto de variedades proveniente principalmente do Afeganistão, e por vezes Irã, Paquistão e norte da índia. Seu nome vem da cordilheira do Hindu Kush, entre o Paquistão e o Afeganistão. Sua principal característica é a grande potência.

    Hash
    Refere-se a um subconjunto de variedades encontradas em todos os países que fazem fronteira com a cordilheira do Hindu Kush. Seu nome se deve ao fato de serem muito usadas para a produção de haxixe na região.

    Brown/Gold/Orange/Yellow
    Embora mudanças de cor indiquem carências nutricionais, elas ocorrem também em exemplares saudáveis e são resultado de influências genéticas e ambientais, se manifestando principalmente perto do fim do ciclo de vida da planta, já que com o alongamento do ciclo de escuridão, a planta vai parando de produzir clorofila e consequentemente revelando pigmentos carotenoides, que protegem a clorofila do excesso de luz. Carotenoides possuem valor antioxidante e anticancerígeno. O ph do fluido celular é que determina a variação de cor, e cada variedade possui uma combinação única de clorofila, carotenoides e potencial para a produção de antocianinas, criando toda essa diversidade de cores nas variedades.

    Blue/Purple/Red
    O desenvolvimento dessas cores depende do potencial genético para a produção de pigmentos antociânicos que atuam como uma espécie de filtro solar, absorvendo a luz azul-verde e UV, protegendo assim os tecidos da fotoinibição. Não alteram o odor da planta mais podem influenciar no sabor. As antocianinas não são sintetizadas até que a planta comece a quebrar a clorofila, presumivelmente para fotoproteção durante a translocação de nitrogênio. No entanto, a cor não aparecerá se as condições ambientais não forem favoráveis. Para encorajar a formação dessas cores, sugere-se diminuir a temperatura a noite e/ou regar com água gelada durante as últimas semanas de floração.

    Outros
    Características como rápida maturação, altura, aromas, sabores e etc., também são frequentemente utilizados na escolha dos nomes. (p.ex: Early Pearl, Low Girl, Lemon Skunk, Chocolate Thai).

    Obs: Algumas vezes plantas batizadas com esses nomes não são nem de fato descendentes da(s) planta(s) que geraram tais nomes, tendo unicamente o propósito de atrair o consumidor.

    6. CANABINOIDES
    Canabinoides são um grupo de substâncias originalmente encontradas na planta Cannabis, mas que se referem a qualquer substância que é especificamente reconhecida pelo sistema endocanabinoide no corpo. Atualmente reconhece-se três tipos de canabinoides: fitocanabinoides; endocanabinoides (encontrados no corpos de humanos e de outros animais), e canabinoides sintéticos. A Cannabis contém pelo menos 489 componentes químicos, 70 dos quais são fitocanabinoides. Fitocanabinoides existem em várias espécies de plantas diferentes.

    Os efeitos dos canabinoides sobre as funções emocional, cognitiva e psicomotora variam de acordo com a experiência do usuário, dosagem, e estado mental no momento do consumo. Os efeitos psicológicos mais marcantes do THC podem ser divididos em quatro grupos: 1. Afetivos (euforia, alegria), 2. Sensoriais (maior percepção de estímulos externos e do próprio corpo), 3. Somáticos (sensação de corpo flutuante ou de queda), 4. Cognitivos (percepção do tempo perturbado, falha de memória, problemas de concentração).

    Tetrahydrocannabinol
    Mais conhecido como THC, Tetrahydrocannabinol é o composto primário responsável pelos efeitos psicoativos da Cannabis. THC é um agonista parcial dos receptores CB1 e CB2. THC é analgésico, ansiolítico, antibacteriano, anticonvulsivante, antidepressivo, antidiabético, antiemético, antiespasmódico, antihiperlipidêmico, antineoplásico, antioxidante neuroprotetor, antipsoriático, anti-inflamatório, broncodilatador, estimulante ósseo, imunossupressor, relaxante muscular, e vasorelaxante.

    THC é responsável pela maioria das mudanças na percepção e no humor. Os efeitos do THC dependem das condições e da dosagem. Condições refletem o ambiente físico e social, assim como o estado mental que pessoa traz para a experiência, como pensamentos, humor e expectativas (p.ex ambiente público + ansiedade = bad trip, ataque de pânico; ambiente confortável + serenidade = efeitos agradáveis). Já dosagem depende da quantidade e do perfil canabinoide consumido. Por ser agonista parcial dos receptores canabinoides, THC pode causar a dessensibilização, seguida pela internalização e regulação decrescente dos receptores. Isso, por sua vez, pode facilitar efeitos adversos, como psicoses transitórias (p.ex neurose + doses crônicas de THC = psicose, colapso mental), assim como pode revelar precocemente distúrbios neuropsiquiátricos subjacentes relacionados a redução a longo prazo dos receptores CB1, como esquizofrenia.

    Cannabidiol
    Mais conhecido como CBD, Cannabidiol é principal fitocanabinoide não psicotrópico. CBD é um antagonista (bloqueia a ação do agonista) dos receptores CB1 e agonista inverso (provoca uma ação oposta à do agonista) dos receptores CB2. O antagonismo do CBD nos receptores CB1 modula a psicoatividade do THC, permitindo a redução dos efeitos adversos da dessensibilização induzida pelo THC. Adicionalmente, CBD é também analgésico, ansiolítico, antibacteriano, anticonvulsivante, antidepressivo, antidiabético, antiemético, antiespasmódico, antineoplásico, antioxidante neuroprotetor, antipsicótico, antipsoriático, anti-inflamatório, anti-procinético intestinal, estimulante ósseo, imunossupressor, relaxante muscular e vasorelaxante

    Cannabinol
    Mais conhecido como CBN, Cannabinol é o produto da degradação do THC. O CBN também é produzido naturalmente pela planta, mas somente em quantidades vestigiais. CBN é um agonista fraco dos receptores CB1 e CB2. Um agonista fraco não possui um encaixe perfeito com o receptor, e por isso precisa de diversos receptores ligados para produzir um efeito. Por esse motivo, CBN pode antagonizar a ação do THC, competindo pela ocupação dos receptores, produzindo assim uma redução líquida na sua ativação.

    Apesar da sua importância na modulação da psicoatividade de strains onde CBD é irrisório ou ausente, CBN ainda está associado primariamente a uma erva de má qualidade devido a um processo incorreto de secagem, cura e armazenamento. Prensados costumam possuir até 90% de CBN em relação ao THC inicial. Quanto mais forte o cheiro de amônia, maior o teor de CBN. O odor que remete a amoníaco provém da degradação acelerada do nitrogênio resultante da alta humidade, aliada ao rompimento dos tricomas pela prensagem, sinalizando o apodrecimento da matéria.

    Relaçao THC:CBD
    O CBD bloqueia os efeitos mentais do THC somente se consumido previamente a utilização do THC. O uso em conjunto atrasa o processo de "ficar doidão", prolongando assim a duração dos efeitos, além de prevenir os efeitos adversos de doses crônicas de THC. THC e CBD são canabinoides sinérgicos.

    7. TERPENOS E FLAVONOIDES

    Terpenos
    Terpenos são uma grande e diversificada classe de compostos orgânicos de origem vegetal, e são essenciais na formação dos sabores e aromas da Cannabis assim como seus diferentes efeitos. Cerca de 200 diferentes terpenos são encontrados na Cannabis, alguns em menor, outros em maior quantidade. Terpenos desempenham um papel fundamental no reino vegetal em aspectos como proteção contra insetos e estresses ambientais, assim como matéria-prima química de moléculas mais complexas, como canabinoides. Muitos terpenos vegetais agem sinergicamente com outros terpenos e alguns servem tanto para catalisar quanto para inibir a formação de outros compostos. Terpenos podem, por exemplo, mitigar a perda de memória. THC provoca déficits colinérgicos no hipocampo que podem ser revertido pela inibição da enzima acetilcolinesterase. A seguir temos uma descrição de alguns dos terpenos encontrados mais frequentemente na Cannabis.

    Mirceno - É o terpeno mais prevalente na maioria das variedades de Cannabis. Seu odor é terroso, cítrico, frutado, apimentado, com nuances de mangas tropicais e menta. É um potente analgésico, anti-inflamatório, antibiótico e antipsicótico. Bloqueia a ação do citocromo B aflatoxina e outros pró-mutagênicos que estão implicados no processo de carcinogênese. Esta associado a efeitos antidepressivos e comportamento edificante. É provavelmente sinérgico ao THC, uma combinação das duas moléculas cria uma experiência mais forte do que o THC sozinho. Mirceno provavelmente afeta a permeabilidade das membranas celulares, permitindo a uma maior quantidade de THC alcançar as células do cérebro.

    Limoneno - Possui propriedades imunoestimulantes, ansiolíticas, antibacterianas, antifúngicas e anticancerígenas, inibindo a cascata de genes ras, que promovem o crescimento do tumor. É utilizado para promover sinergicamente a absorção de outros terpenos, penetrando as membranas celulares, e responsável por fazer o efeito da Cannabis bater mais forte logo de início. As plantas utilizam o limoneno para repelir predadores. Em humanos, o limoneno facilita uma resposta direta, permeando rapidamente a barreira sangue-cérebro. O resultado é o aumento da pressão arterial sistólica. Esta associada a efeitos antidepressivos, e comportamento alerta, inquieto. Diversos análogos de limoneno podem sinalizar ao cérebro efeitos de flutuabilidade, sexualidade, ou atenção centrada. Seu odor é cítrico, com nuances de alecrim, zimbro e/ou menta, e sua contribuição para a brisa psicodélica, cerebral, pra cima, clara, com picos de euforia.

    Pineno - Possui propriedades antibióticas, antineoplásicas, antisépticas, anti-inflamatórias, estimulantes e expectorantes. Atravessa facilmente a barreira sangue-cérebro, onde age como um inibidor da acetilcolinesterase, ou seja, inibe a atividade de uma substância química que destrói uma molécula de transferência de informação, resultando em uma melhor memória. É também um broncodilatador, a fumaça parece expandir-se em seus pulmões e a brisa vem muito rapidamente uma vez que uma percentagem elevada da substância passa para a corrente sanguínea e ao cérebro. Esta associada a efeitos de satisfação pessoal, aumento de foco, relaxamento e energização. Seu odor remete a pinheiros, sendo um dos prováveis responsáveis pelo odor pungente das variedades Skunk.

    Terpineol - Possui propriedades antibióticas, antimaláriais, antioxidantes, inibidora da acetilcolinesterase e sedativas. Seu efeito esta associado a famosa sensação de derretimento no sofá. Seu odor é cítrico com nuances de flor de maçã, tília e/ou lilás, e apesar do seu odor não estar associado a efeitos corporais, é normalmente encontrado em variedades de cannabis com grandes níveis de pineno, responsável por mascarar os odores do terpineol.

    1,8-Cineol - Possui propriedades antibióticas, antinociceptivas, antivirais, anti-inflamatórias, estimulantes e inibidora da acetilcolinesterase. É usado para aumentar a circulação, alívio da dor e outras aplicações tópicas. Cineol atravessa facilmente a barreira sangue-cérebro e provoca uma reação rápida e olfativa. é um dos provável responsável pelos efeitos estimulantes e instigantes da brisa.

    Borneol - É considerado um sedativo calmante na medicina chinesa. Utilizado na recuperação da fadiga, recuperação de doenças e stress. Tem um efeito calmante e aspectos psicodélicos. Seu odor remente ao aroma mentolado da cânfora.

    Linalol - Possui propriedades ansiolíticas, antidepressivas, antipsicóticas, imunopotenciadoras e sedativas. Está sendo testado no tratamento de diversos tipos de câncer. Possui aroma floral reminiscente das flores da primavera, com toques picantes.

    Pulegona - É um inibidor da acetilcolinesterase, ou seja, interrompe a ação de uma proteína que destrói a acetilcolina, que é usada pelo cérebro para armazenar memórias. Pulegona pode neutralizar a atividade do THC, que leva a baixos níveis de acetilcolina, ou seja quanto maior o nível de pulegona, menor a perda de memória. Tem também propriedades antipiréticas e sedativas. Seu cheiro remete ao odor mentolado da cânfora, e é bastante pela indústria de doces para dar sabor a balas e chicletes.

    Cariofileno - Possui propriedades analgésicas, antialérgicas, antimalariais, antitumorais, anti-edêmicas, anti-inflamatórias, bactericidas, citoprotetoras e repelente. Em doses elevadas, é um bloqueador dos canais de íons de cálcio e potássio, dificultando a pressão exercida pelos músculos do coração. Não esta envolvido em mudanças no humor. Tem um odor doce, amadeirado, que remete a cravo seco, e gosto picante da pimenta com nuances de cânfora e adstringente cítrico.

    Delta-3-Careno - É utilizado para secar o excesso de fluidos, lágrimas, nariz escorrendo, fluxo menstrual em excesso e transpiração, e o provável responsável pelos efeitos de boca e olhos secos, experienciados por alguns usuários de Cannabis. Possui um odor doce picante.

    THC puro é sem graça, unidimensional, e tem pouca individualidade, mas em conjunto com pequenas quantidade de terpenos cada variedade ganha sua própria personalidade visto que terpenos modulam os efeitos psicoativos e fisiológicos da Cannabis, afetando o humor, sensibilidade e percepção dos sentidos, assim como percepções corporais, tais como equilíbrio e dor. Cerca de 10-29% da resina é composta de terpenos, e suas proporções e quantidades presentes é afetada de acordo com o tempo de maturação, genética e meio ambiente. O horário da colheita também é importante já que as plantas possuem uma maior quantidade de terpenos após um período de escuridão, uma vez que a luz e o aumento das temperaturas contribuem para a evaporação dos terpenos que estão constantemente sendo produzidos pelas plantas, e por isso recomenda-se colher de manhã cedo.

    Ed Rosenthal sugere que consumindo-se alimentos com terpenos em comum com a variedade, em antecedência a inalação da Cannabis, é possivel realçar os efeitos da combinação desse terpeno com o THC. Por exemplo, mirceno é um terpeno importante na qualidade de certas variedades de Cannabis, particularmente as "sativas", de regiões tropicais. Se uma manga for consumida 1 hora antes da inalação do fumo, a adição de mirceno ao corpo, proporcionada pela manga, terá supostamente um impacto profundo na qualidade dos efeitos.

    Flavonoides
    Os flavonoides são fenóis policíclicos aromáticos encontrados em diversas espécies vegetais. Cerca de 20 flavonoides são encontrados na Cannabis, sendo alguns exclusivos da espécie. Flavonoides, assim como terpenos, exercem uma ampla gama de efeitos biológicos. Protegem as plantas de raios ultravioletas, e são responsáveis pelas diferentes cores encontradas na Cannabis. Possuem propriedades antialérgicas, anticancerígenas, antioxidantes, antivirais e anti-inflamatórias. Estudos epidemiológicos indicam também que doenças cardíacas são inversamente relacionada à ingestão de flavonoides uma vez que esses impedem a oxidação da lipoproteína de baixa densidade, reduzindo assim o risco de desenvolvimento da aterosclerose. Os flavonoides podem ter um papel na prevenção e/ou tratamento de condições de saúde como: alergia, asma, catarata, degeneração macular, dermatite atópica, diabetes, doença periodontal, enxaqueca, gota, hemorroida, úlcera de estômago e varizes.

    8. POTÊNCIA
    A potência depende exclusivamente da proporção entre os canabinoides na matéria vegetal. Os extratos, como o haxixe, apenas condensam uma maior quantidade de canabinoides em uma menor superfície. Não é a potência da Cannabis que vem aumentando ao longo dos anos, mas sim o conhecimento das técnicas e cuidados apropriados nos cultivos, e na produção dos extratos da Cannabis que vem sendo aperfeiçoado.

    Tricomas vs. Canabinoides
    A planta fêmea possui 5 formas de tricomas: 1. Tricomas unicelulares simples, que possuem a função de reduzir a perda de água e fornecer algum isolamento contra temperaturas extremas. 2. Tricomas cistolíticos, que reduzem a palatabilidade da folhagem aos predadores. 3. Tricomas anteriais sésseis, que estão conectados a polinização e produção de sementes. 4. Tricomas bulbosos, de função ainda desconhecida. E, 5. Tricomas capitado pedunculados, abundantes no cálice, bráctea, bractéola e pecíolo da planta fêmea. Costumam formar uma densa pubescência que haje como barreira física para pequenos insetos fitófagos, e que também providencia alguma proteção contra ventos frios dessecantes. Ao refletir a luz infra-vermelha, uma pubescência densa de tricomas tem também propriedades de resfriamento e, sendo igualmente eficaz em todo o espectro de luz, reflete também a luz ultra-violeta. A resina da cabeça de um tricoma capitado pedunculado possui um volume aproximadamente oito vezes maior que a de um tricoma séssil. E essa diferença pode ser ainda maior já que tricomas capitado pedunculados também possuem uma maior concentração de canabinoides. A capacidade da planta para biosintetizar canabinoides está provavelmente ligada a quantidade de energia disponível. Assim como os canabinoides, a maioria dos monoterpenos e sesquiterpenos encontrados na Cannabis também estão localizados em tricomas glandulares.

    Maturação vs. THC/CBD
    Parece que as condições exigidas para o catabolismo oxidativo de THC para CBN não são os mesmos que aqueles que causam a coloração âmbar nos tricomas. Mas apesar de não existir ligação direta, a coloração dos tricomas é frequentemente usada como indicativo para a colheita. Conforme a coloração vai passando de transparente pra âmbar, a percentagem de CBD tende a aumentar, enquanto que a percentagem de THC tende a diminuir. Colher muito cedo pode realçar os efeitos psicóticos da Cannabis, por isso recomenda-se esperar que a planta mature mais, e desenvolva outros compostos que vão modular e balancear os efeitos do THC, tornando a brisa mais agradável.

    Temperatura vs. THC/CBD
    Temperaturas mais frias aumentam significativamente a proporção de CBD dentro do perfil canabinoide. Uma possível explicação é que, em condições mais frias a sintase do CBD é capaz de competir pelo precursor comum CBGA de modo mais favorável que a sintase do THC. Como sugere-se que as sintases do CBD e THC existem em mais de uma isoforma, podem existir outros quimiotipos heterozigotos mistos que sintetizam diferentes proporções de uma ou ambas as sintases, e que podem sintetizar de forma diferente a temperatura. Também é possível que a produção de um ou outro seja induzida pela ativação de um gene não identificado. De qualquer maneira, a capacidade de maior produção de CBD em condições frias pode ser uma característica hereditária que em algum momento melhorou a capacidade de sobrevivência da espécie.

    9. PROCESSO DE ESCOLHA
    Centenas de novas variedades surgem todos os anos, mas se considerarmos alguns fatores durante o processo de seleção, é possível facilitar essa escolha, e encontrar as melhores opções para cada caso. O primeiro fator é a forma de cultivo. O cultivo outdoor apesar de não limitante na escolha da variedade, limita o número de safras de acordo com sua região geográfica. No cultivo outdoor, quimiotipos THC dominante prosperam melhor em climas tropicais (quanto mais próximo da linha do equador melhor), e quimiotipos mistos prosperam melhor em climas temperados (quanto mais próximo dos trópicos melhor). Já o cultivo indoor, vem acoplado de diversos fatores que podem limitar a escolha da variedade. Isso ocorre porque diferentes espécies e variedades apresentam diferentes padrões de crescimento, e reagem de maneiras diferente às técnicas de cultivo e ao ambiente. Somente após estabelecidos o local e método de cultivo é possível analisar os fatores de caráter pessoal, como efeitos, aromas e sabores. Cabe ao consumidor usar o bom senso e pesquisar a(s) variedade(s) mais adequada(s) à(s) sua(s) necessidade(s).

    Variação Fenotípica
    Assim como acontece com os seres humanos, dois irmãos filhos dos mesmo pais, podem ser completamente opostos em suas qualidades. Isso ocorre devido as variações fenotípicas resultantes do cruzamento de diferentes variedades e da influência ambiental. Por exemplo, suponhamos que João germinou duas sementes feminilizadas da variedade Malbécia (fictícia), que ele apelidou de Abel e Caim, com a intenção de selecionar uma planta mãe pro seu sistema de cultivo perpetual. João tirou clones de seus fenótipos e colocou as plantas pra florescer. Abel demorou 10 semanas pra florescer, ficou com um tamanho final de 1 metro e resultou em um fumo com 20% de THC e 1% de CBD, já Caim demorou 8 semanas pra florescer, ficou com um tamanho final de 60cm e resultou em um fumo com 6,5% de THC e 13% de CBD. Como João é um usuário medicinal, optou por matar os clones de Abel, e transformou um dos clones de Caim em uma planta mãe para seu perpetual.

    Seed Brands
    Assim como acontece com todos os produtos que são consumidos por uma grande parcela da população, a quantidade de marcas e variedades de Cannabis é bem extensa. São centenas de marcas e milhares de variedades que podem tornar o processo de seleção laborioso, e o consumidor precisa estar atento para não comprar gato por lebre. Não existe copyright das genéticas ou nome das plantas, então, quando uma genética atinge grande notoriedade, é normal que outras marcas comecem a vender sua própria versão, assim como a utilizam para novas cruzas. Mais de 90% das genéticas que ganharam status de strains lendárias não são encontradas para comercialização já que estão extintas ou nas mãos de alguns poucos indivíduos. E entre as disponíveis, boa parte já perdeu qualidade pois não tem o mesmo vigor de 10, 20 anos atrás. Assim como acontece com qualquer produto, diferentes marcas possuem diferentes reputações, desde o pequeno produtor orgânico até o renomado produtor em larga escala. Não existe uma marca melhor do que a outra, o que existe é a preferência do consumidor que é limitada de acordo com suas experiências. O segredo da qualidade está em uma seleção e reprodução conscientes, e o potencial genético está diretamente ligado as habilidades do cultivador.
    Gracias por el trabajo y la información. MOITO OBRIGADO.
    Salud !
    Última edición por MiG; 14/05/2015 a las 08:24 AM

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  15. #8
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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

    Hola! Mi portugués esta muy oxidado y para no ofenderles ni a ustedes ni a su lengua hermana escribiendo en "Portuñol" lo haré directamente en español... Mil perdones!: definen quimiotipo como Los porcentajes de canabinoides de cada planta... Y no seria esto simplemente un rasgo genético mas como el color de pelo o ojos en animales ( cargados en todas sus posibilidades en el geno y expresados en una de estas posibilidades en el fenotipo? Perdon pero no se Botanica y por eso intento explicarme con ejemplos animales... Pero estoy encantado con lo que voy aprendiendo de Botánica con todos vosotros.

    Y si así fuera, del geno, del feno o de ambos?,Y se incluyen en quimiotipo los terpenos? Y otra pregunta para cualquiera que tenga la amabilidad de contestar: se sabe que numero de genes determinan los porcentajes de canabinoides (thc, thcv, cbd y cbn; y existe alguno mas) ? Gracias por el tiempo y la atención por adelantado.

    Salud a espuertas a todo el mundo! Y mucho orden, mucho progreso...pero con mucha maconha...

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  17. #9
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    Re: Entendendo as Genéticas por detrás das Nomenclaturas

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    Hola MiG,

    MiG:
    definen quimiotipo como los porcentajes de canabinoides de cada planta... Y no seria esto simplemente un rasgo genético mas como el color de pelo o ojos en animales ( cargados en todas sus posibilidades en el geno y expresados en una de estas posibilidades en el fenotipo? Perdon pero no se Botanica y por eso intento explicarme con ejemplos animales...


    Rivalpo:
    Si, es un rasgo genetico. El termino quimiotipo es sinonimo de fenotipo quimico y se aplica a todos los compuestos químicos que pertenecen a los metabolitas secundarios de las plantas como los terpenos, los cannabinoides, los alcaloides, las betalaínas y los fenoles (flavonoides, taninos...)

    La comparación de plantas con animales no es absurda, al révès. Aunque existen diferencias, tambien hay muchos puntos en comun en el plan genetico. No olvidemos que compartimos el mismo codigo genetico.


    MiG:
    Y otra pregunta para cualquiera que tenga la amabilidad de contestar: se sabe que numero de genes determinan los porcentajes de canabinoides (thc, thcv, cbd y cbn; y existe alguno mas)


    Rivalpo:
    Si, se conocen los genes que regulan la transmisión del quimiotipo del cannabis (O/o para el CBG y el CBGV, D/d para el CBD y el CBDV, T/t para el THC y el THCV). Son monogenicos, es decir que siguen el patron de la herencia mendeliana con las dominancias, codominancias y recesividades. Se situan en el locus B (el locus define la localización precisa de un gen sobre un cromosoma)

    Existen más de 60 cannabinoides diferentes, los más abundantes en el cannabis y los más estudiados son los que has nombrado. El CBN no está producido directamente por la planta, es un producto de la oxydación del THC.



    MiG;
    PD: Mil gracias @Rivalpo
    Última edición por MiG; 16/05/2015 a las 01:58 AM

  18. Los siguientes 2 Usuarios dan las gracias a MiG por este Post:

    cuiajah (24/05/2016), Harvest*Time (16/05/2015)

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