CULTIVO EXTREMO I
Em nossa vida como cultivadores, a maioria de nós passou por situações nas quais as condições de cultivo não eram as ideais. Em alguns casos, chegamos a ver cultivos que fulgiram completamente a todas as normas básicas que lemos nos manuais e foros de cultivo e, no entanto, conseguiram uns camarões alucinantes. Ao longo de três entregas tentarei explicar uma série de técnicas que extrairão todo ?extrato? de cada planta.
Por Lui
O que primeiro devemos definir é o conceito de "Cultivo Extremo". Entenderemos que estamos aplicando técnicas de Cultivo Extremo sempre que modifiquemos os sistemas Bióticos e Abióticos do meio de cultivo, de forma que as condições forcem reações não habituais na planta. Por Biótico, assumimos todos os fatores do meio que estão "vivos", sejam diferentes bichos e pragas, outros bichos que não são pragas e também podem viver no substrato, como bactérias, fungos, mofos, microorganismos e, definitivamente, tudo aquilo que está vivo. Por outro lado, poderemos considerar como parâmetros Abióticos aqueles que influem no ambiente, sendo os mais determinantes a Luz, a Temperatura e a Umidade, ainda que também o Ar (vento), os níveis gasosos ou a qualidade de água, influem de forma decisiva em alguns processos.
Não estamos falando aqui de mitos amplamente difundidos, do tipo "torturar" a planta,na base de romper os ramos, inserir pregos ou realizar podas selvagens. Este tipo de "tratamentos" sem nenhuma base científica que os avalize, são e serão SEMPRE prejudiciais para a planta, produzindo em 100% dos casos, mais prejuízo do que benefício.
Pelo contrário, exporemos formas de manipular o meio para conseguir determinados fins concretos, a saber: mas potência, períodos vegetativos relâmpago, maturação acelerada, redução dos tempos de floração, seleção de mães e pais puros, por detecção de hermafroditas, incrementos na produção de resina, etc....
Obviamente, a maioria destas formas de trabalho só são aplicáveis aos cultivos de interior, devido ao fato de que é neste meio que podemos, realmente, ter maior controle sobre todos os parâmetros. De qualquer maneira, existem outros parâmetros que podem ser extrapolado ao cultivo exterior, ainda que sempre limitados quanto a ?Causa-Efeito?, devido à intervenção da mãe natureza, que impede a aplicação correta da técnica, em muitos casos.
Chegados a este ponto, e tendo já claro o que é o Cultivo Extremo, poderíamos classificar as diferentes técnicas por sua aplicação e efeito.
INCREMENTO DE POTÊNCIA
A seguir, vou expor diferentes técnicas enfocadas exclusivamente no incremento da potência da planta, sem necessidade de aditivos que, ainda que realmente funcionem, pode-se prescindir deles ou trabalhar de forma combinada. Estas técnicas são, em muitos casos, complementares e compatíveis com a maioria dos produtos agrícolas, o que também não impede seu uso, caso se deseje, e mais, seus efeitos serão potencializados, com toda segurança.
A base destas técnicas é o solo seco, a redução de Nitrogênio e a aplicação de luz em excesso, combinadas com umidades relativas baixíssimas, em determinados momentos do ciclo vital. Entendemos também que, ao falar de potência, realmente falamos em incrementar os níveis de resina nos tricomas e seu número na planta. Isto implica que se existe uma quantidade determinada de THC por tricoma, ao termos mais tricomas teremos mais THC, mas também mais CBD e outras resinas e azeites pelo mesmo princípio.
Temos que partir da base de que o cânhamo para uso medicinal e/ou narcótico é sempre de Solo Seco. Ao afirmar isto, nos referimos às variedades com um alto nível de pureza, ou híbridas que por suas características mantêm as necessidades hídricas de seus pais, as quais, sem dúvida, eram de Solo Seco.
Devemos ter em conta que o que nos interessa neste caso é potenciar a produção de resinas, bem como o favorecimento de geração de flores (cálices) em detrimento da folha e do resto de matéria vegetal. Outra coisa é o cânhamo para uso industrial, onde quereremos ter grandes folhas e gordos ramos maciços, no caso da fibra. Portanto, as técnicas de cultivo que aplicaremos, são diferentes em ambos casos, chegando à oposição em algumas ocasiões. Se, além disto, desejarmos esse "extra" que diferencie nossa Erva do resto, deveremos aplicar o ?Cultivo Extremo?.
Antes de continuar, devo esclarecer uma questão bastante complicada. Na Cannabis, tudo se mantém em equilíbrio. Se tivermos muito de algo, será sempre ao custo de termos pouco de outra coisa, tentando manter o equilíbrio. Por exemplo, um dos erros que se cometem de forma mais comum é o da poda não seletiva, pensando que é bom tirar aquela folha gigante que oculta algum camarão. Se você fizer isto quando já entrou a floração, o que você provocará será um incremento de pequenas folhas e surtos em todo o ramo, que já não têm tempo para desenvolver-se, com o que dará microcamarões aparentemente inflados, mas com muito pouca flor, que se secarão e se transformarão em ?Palha".
Com o anteriormente exposto se pretende que o leitor entenda que não existe uma "fórmula mágica" que permita levar ao extremo todos os fatores que nos agradem, como podem ser a produção, potência e aromas. Se levarmos ao extremo a potência, como neste caso, será ao custa da produção, e em alguns casos dos aromas, seja em cheiro ou em combustão. Se subirmos os aromas, baixaremos a potência, com quase toda segurança, e também a produção. Por último, não costumam ser compatíveis os grandes tamanhos com a alta potência.
Se obsevarmos as plantas mais potentes do mundo, isto é, as que têm mais altos níveis em cannabinoides, sobretudo THC, veremos que se encontram sempre em zonas de climas continentais de ?Áreas Secas? ou de montanha (Enciclopédia da Maconha, Vol I, ed 2000). Em nenhum caso se encontram variedades de alta potência em vales baixos ou zonas de muita chuva durante todo o ano, sendo estas plantas de desenvolvimento espetacular, mas de efeito psicoativo menor.
Também se fez um Thread por parte de um foreiro do www.cannabiscafe.net, um dos melhores foros de cultivo em castelhano, no que se cultivava uma variedade marroquina em hidropônico, obtendo uns resultados excepcionais quanto a desenvolvimento e aspecto da planta. A surpresa chegou na hora da prova, momento em que se descobriu seu horroroso sabor e sua baixa psicoatividade, enquanto suas ancestrais de terreno seco por origem, eram de produção escassa mas de potência muito superior (em relação às variedades marroquinas referidas). Isto não quer dizer que não possamos cultivar plantas muito potentes em sistemas hidro, já que os híbridos com os que trabalharemos costumam estar aclimatados e em sua genética predomina a ?alta potência? e sempre a mostrarão nas primeiras gerações, inclusive em condições adversas de alta umidade, frio, luz escassa, etc., mas a referida condição de alta ?potência? se desvanecerá com a descendência nas sucessivas gerações.
Com tudo o exposto até agora fica claro o fato de que, se queremos altos níveis de psicoatividade, tem de ser à custa da produção, invariavelmente. Por outro lado, o cultivador deve ser consciente de que o que explicaremos, pode não dar os resultados esperados, se não se aplicar da forma correta.
No próximo módulo, veremos como controlar as mudanças ambientais, para que o incremento de potência seja apreciável de forma objetiva, bem como os diferentes níveis de cannabinoides nas diferentes etapas de desenvolvimento da planta, desde seu primeiro par de folhas, até o momento da colheita, e de como deveremos ajustar luz, água e temperatura para obter o máximo de resina possível para essa variedade.
Até esse momento, pode fumar uns charros dessa estupenda Erva, enquanto vais imaginando o que vamos fazer a nossas meninas. Vão passar sede, fome e calor, muuuuito calor![]()

Citar
My Hidroponic Indoor.
